A Internet é de fato uma dessas maravilhas que surgem de tempos em tempos e que nós, além de não ter forças para resistirmos aos seus encantos, somos obrigados também a suportar os dissabores que ela proporciona. Dificilmente, por exemplo, uma pessoa diz uma coisa desagradável para a outra, com tanta intensidade como diz aqui, não fosse por estar no sofá de sua casa ou um outro lugar qualquer, onde tenha sinal de Internet. Audácia é mato aqui!
É certo também, como já comentei em outras oportunidades, que dependendo da gravidade do que se publica, o autor está sujeito às penalidades da Lei, afinal, não é "terra de ninguém". Se temos Leis específicas, é porque houve a necessidade de concebê-las.
Mas esse preâmbulo que fiz é para trazer um tema que me incomoda e que em virtude da comodidade que o mundo virtual oferece, tornou-se de fato insuportável. Estamos vivendo talvez o pior momento da história no que diz respeito à busca pelo conhecimento, prejudicados por uma conduta insana de pessoas que não só são mau educadas, mas tem orgulho disso.
A Internet e em especial as redes sociais, excelente ferramenta de conhecimento, tornou-se um instrumento que prejudica essa busca na medida em que no lugar de aprender, aproveitar a oportunidade de ter acesso às informações trazidas por pessoas que querem contribuir, acabam transformando tudo em guerra ideológica onde um simples comentário sobre um cachorro que mordeu uma pessoa, descamba para um infindável número de xingamentos e palavrões, que mais parece um bordel instalado lá nos cafundós do Judas. Os políticos, os juízes e advogados, são os principais alvos.
É tanto especialista em tudo que se possa imaginar e diga-se de passagem "assassinos da língua portuguesa", que é difícil até de se entender de onde partiu o motivo para tanto ódio, traduzido em palavras de baixíssimo calão como se "lacrar" fosse a única coisa que importa nesse mundo. Liberdade de se expressar não quer dizer liberdade para transgredir o pacto social. Urbanidade, ou seja convívio harmônico, também é uma obrigação a cumprir.
O mundo está precisando de mais humildade. Se não entendermos que ordem e disciplina, não são sinônimos de subserviência e humilhação, teremos um mundo que não voltará aos trilhos e o abismo é logo ali.
Sem mais para o momento, rogo para que as pessoas procurem valorizar a dádiva de ter a disposição mecanismos de comunicação tão poderosos, algo que não tínhamos na década de 80, e faça um melhor uso. A diferença entre o remédio e o veneno, é a quantidade.
Bom gosto não é privilégio de uma classe, mas uma escolha que se faz entre ser inútil ou essencial.
São Mateus-ES, 25/02/2026
Carlos Quartezani