Um dos maiores desafios que temos em nosso país, principalmente após as eleições de 2014, quando o candidato a presidência da República, Aécio Neves, foi derrotado e se recusou a aceitar o resultado, é desfazer o palanque e seguir em frente.
Lamentavelmente, embora tenhamos um sistema eleitoral absolutamente seguro, auditável e as regras do jogo rigorosamente claras, ainda padecemos com a inexplicável perenização do processo eleitoral. Mesmo com as definições por meio do voto, aquele que perdeu se recusa a descer do palanque inflando a população a continuar discutindo algo que não cabe mais discussão.
Se você cumprimenta uma pessoa que porventura votou no candidato que não era o seu, o cumprimento automaticamente se torna um gatilho para retaliações, diretas ou indiretas, como se a sua escolha, diferente da dela, provocou sua ruína. Não aconteceu comigo, diga-se de passagem, mas ouvi relato neste sentido.
A democracia pressupõe participação ativa da sociedade no cotidiano, na execução das políticas públicas, na organização dos Conselhos Municipais, enfim, onde houver espaço para o povo ocupar e de fato participar da vida política. Eleições acontecem a cada dois anos e o processo tem um início e um fim, ou pelo menos, deveria ser assim.
Os candidatos que escolhi, uns venceram outros não e a vida segue. Não tenho direito de perpetuar uma disputa que não está mais no meu controle, que é o voto. O que preciso fazer é continuar me interessando pela vida política pois é o meu dever de cidadão, contudo, eleições é só daqui a dois anos e não tenho direito de torcer contra aquele que ganhou, como acontece no futebol.
As animosidades, principalmente entre amigos e familiares por conta da opção política não faz bem a ninguém, além de ser uma estupidez sem tamanho.
Espero que os candidatos derrotados e seus eleitores, nos quais me incluo em relação ao Governo do Espírito Santo, se permitam virar a página e continuar a vida, pois os seus boletos precisam ser pagos e ninguém os fará por você, muito menos o político em quem você votou.
Carlos Quartezani