domingo, 11 de outubro de 2026

Desconexão

Eu ficaria muito menos preocupado com o avanço da direita no Brasil, se a motivação fosse estruturada em razões puramente ideológicas, que de fato a base fosse o liberalismo, este pensamento político que, em resumo, defende um Estado menor, menos influente na dinâmica econômica. 

É ruim para todos um Estado menor. Quando vem a tragédia, por exemplo uma seca extensa no campo ou, o contrário, chuvas prolongadas, as pessoas atingidas - carentes ou não carentes - são socorridas por este Estado que se não fosse forte, não poderia fazer nada e o atingido dependeria praticamente de si mesmo, já que a meritocracia, princípio elementar do liberalismo, estabelece que se você não soube planejar, o prejuízo é seu e não do Estado. Uma espécie de "se vira, você não é quadrado".

O brasileiro médio não entende isso e quando digo "médio" não estou falando apenas de pessoas que frequentaram pouco a escola, mas de pessoas que cumpriram o básico em termos de educação e outros muitos que se graduaram em diversas áreas profissionais, mas não perceberam a importância que tinha as aulas de filosofia, aquela que é capaz de lhe proporcionar capacidade de discernir entre um pensamento político e outro, entre outras coisas também importantes.

A conexão que se faz necessária, entre o povo e a política, pode ser benéfica ou não, desde que feita em bases corretas. Se fosse com base no pensamento político, causaria menos temor pois é tão somente uma decisão sóbria que determinaria que tipo de Estado queremos e não qual o super herói que queremos como governante.

Um político influente outro dia disse que o povo brasileiro precisa se reconectar à política e sugeriu que essa reconexão viria por meio do voto no candidato da direita. Eu, respeitosamente, discordo. Se não houver uma compreensão correta sobre o que é a política, não teremos reconexão, mas tão somente a troca por um governo que acredita, simplesmente que, SEM MÉRITO, você não merece estar entre os vivos. 

Eu não me importo se este texto tem um leitor ou uma multidão. O que de fato faz diferença para mim é que quem o leia seja capaz de compreender o sentido e exercer o seu livre pensar, abdicando, preferencialmente das facilidades proporcionadas pela Inteligência Artificial que é um convite à preguiça de pensar. Como disse o filósofo grego "penso, logo existo".

Por isto e por muitas outras razões, não posso me calar diante da possibilidade de termos, outra vez, a experiência amarga de ter a frente do governo central, pessoas que não se importam com ninguém, a não ser com o bem estar daqueles que nasceram privilegiados e precisam muito pouco do Estado. 

A conexão já existe e quero que continue assim. Eu voto Lula Presidente 13 e Ricardo Ferraço, Governador do Espírito Santo 15!

Carlos Quartezani

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Ser político

Se tem algo que eu me orgulho é das escolhas que faço e até mesmo as escolhas erradas que faço, me ensinam e não são motivo de arrependimento para mim. 

Em política e no futebol, eu sei que tem sempre um próximo campeonato e se a disputa for na série B, estarei lá, firme, porque sou leal às minhas convicções e, digo mais: se a maioria fosse assim, talvez elegessemos políticos melhores, embora ache que o político é tão somente a foto do povo, portanto, merece respeito. 

E quando, porventura, me disserem que eu só falo e não faço, mostro meus registros de candidato em 2012 e 2016, para Vereador de Conceição da Barra-ES. Não é fácil, mas eu coloquei meu nome a disposição principalmente para entender como se sente a pessoa que está do outro lado dessa história. 

Respeitosamente a todos os verdadeiros amigos que me acompanham por aqui, desculpe se o meu pensamento político incomoda, mas se não fosse assim, não seria democrático. 

Peço aos mais exaltados que se manifestaram na postagem que fiz nas redes sociais, que revejam seus conceitos. Sou político, e o que devemos esperar do político é, soberanamente, que tenha um ponto de vista sobre os temas e fazê-lo publicamente, do contrário, é só uma alface disfarçada de político. 

Abraço!

Carlos Quartezani

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

São tantas emoções

A democracia, embora seja um instrumento civilizatório sem substituto à altura, está longe da perfeição... muito longe!

A emoção não é democrática e quando ela chega na política, passa por cima de tudo, como um trator. 

Em regra, não importa se o candidato está preparado ou não para o cargo, o que importa é que ele (ou ela) desperte-nos algum tipo de emoção, em especial, a gratidão. 

Eu já votei por gratidão e não tem problema nenhum nisso. No entanto, eu não posso cobrar resultado algum de quem eu votei. Eu só retribuí, com meu voto, uma gentileza ou um favor, por assim dizer. 

Por isso sou adepto ao critério do compromisso partidário. Se voto em alguém do partido ao qual sou filiado, estou confirmando que aquela agremiação partidária (não apenas a pessoa) me representa no ambiente político. Sem os partidos, não há democracia!

Pense nisso: com pessoas podemos nos decepcionar, na política ou em qualquer outra área da vida, mas o Partido, embora composto por pessoas, permanece enquanto as pessoas, bom, as pessoas são finitas.

Carlos Quartezani

sábado, 1 de agosto de 2026

Pocar de felicidade

Minha Barra, mais uma vez, está em festa!!!

É o festival de cultura Pocar, que acontece mais um vez e, como sempre, despertando o charme da cidade que nasceu de um beijo!

O rapaz que está ao meu lado na foto, o ator barrense Didito Camilo, é o grande criador deste evento e um dos agentes culturais responsáveis por inserir Conceição da Barra-ES no contexto cultural capixaba e brasileiro. 

Portanto, meus parabéns e muito obrigado, Didito Camilo, por nos proporcionar momentos singulares e marcantes.

Carlos Quartezani

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Dignidade

O Brasil perdeu para a Noruega e de uma forma digna. Qualquer um que se dedica a entender o futebol, sabe que o nosso time está sendo preparado e que a possibilidade de ganhar a Copa, era remota. 

Times como a Inglaterra, Espanha, Argentina, França e outros estão jogando com praticamente os mesmos jogadores, enquanto nós, além de perder atletas machucados, convivemos com as incertezas de um time em montagem. 

Estou triste sim mas não decepcionado. Temos jogadores bem novos e que em 2030, se dermos continuidade ao trabalho, estaremos com uma equipe em condições de disputar o prêmio máximo do futebol mundial. 

O que precisamos agora é tentar fazer com que a derrota de ontem, seja apenas uma lição importante para a próxima disputa da nossa Seleção!

Eu sou brasileiro e torço pelos representantes do meu país, portanto, sigo convicto de que iniciamos agora o nosso retorno ao lugar de destaque no futebol mundial.

Ah! Já ia me esquecendo: vou torcer para a Noruega ganhar a competição. O rapaz gigante, o Erling Halland, é um ser humano prá lá de agradável e o respeito que demonstra ter pelo Brasil, é surreal! Parabéns aos Vicking's!!!

São Mateus-ES, 06/07/2026

Carlos Quartezani

domingo, 22 de março de 2026

Neymar

Vocês sabem que eu me amarro em polemizar não é? É de nascença, eu acho. Mas como não polemizar quando o assunto é futebol e principalmente quando se trata da Seleção Brasileira...

Eu que sou um dos privilegiados que viram a Seleção de 1982 (a melhor de todos os tempos) em ação, além das demais que vencemos, não tenho me empolgado com a nossa seleção atual nos últimos anos, e continuo assim. Empolgação zero!

Só um milagre nos faria vencer a próxima Copa do Mundo. Nossos vizinhos Argentina, Colômbia, Uruguai, por exemplo, que por sinal prestam bons serviços ao futebol brasileiro, com jogadores de alta categoria nos times daqui, estão muito bem servidos e acredito que a possibilidade é enorme de um desses países seja o melhor do mundo em 2026.

Dito isto, eis a polêmica: Sou a favor de separar uma vaga para Neymar na seleção brasileira. Não tem substituto para ele no momento, na posição que joga. E mesmo que não esteja em suas melhores condições físicas, poder contar com a sua presença em campo, é um ingrediente a mais para que os adversários nos respeitem. 

O que vi até agora, não faz medo nem a uma criança!

São Mateus-ES, 22/03/2026

Carlos Quartezani

segunda-feira, 16 de março de 2026

Valor não é preço

Consta que um dos membros da organização responsável por eleger o nome mais importante da literatura no Mundo, o Prêmio Nobel de Literatura, ao ser indagado sobre os motivos que levam o Brasil a nunca ter ganho o Prêmio, este teria respondido que o povo brasileiro assassina seus heróis, ou seja, o próprio brasileiro se encarrega de desvalorizar seus notáveis. 

O assunto que trago aqui não é exatamente sobre literatura, mas é sobre outra arte que nos últimos anos, tem nos feito refletir sobre as razões pelas quais temos tanta dificuldade em valorizar o que é nosso. 

Estou falando de Cinema, uma arte que há pouco tempo passou a elevar o Brasil mundialmente, pela sua qualidade e pela paixão com que se entregam os mais variados profissionais que atuam nessa área. 

Eu que não sou um ancião mas já passei dos cinquenta, nunca vi o cinema brasileiro ser tão valorizado Mundo a fora, desde que tivemos nossa primeira experiência exitosa quando quase conseguimos o maior prêmio do cinema com "Central do Brasil", filme no qual Fernanda Montenegro teve seu nome indicado ao de melhor atriz. O ano era 1999.

Não levamos o prêmio, mas o orgulho que senti por ser brasileiro, foi enorme. Embora saibamos que ser indicado ao prêmio já é um grande feito, mas claro que desejamos que Central do Brasil vencesse aquela edição do Oscar.

O filme não levou a cobiçada estatueta, mas não perdeu o prêmio para qualquer filme. O vencedor naquele ano foi o esplendoroso "A vida é bela", do italiano Roberto Benigni que sensibilizou o mundo com a história do judeu que mesmo sob o terror nazismo, não permitiu que seu "bambino" visse a face do mal. Não perdemos o Oscar, foi o outro filme que era extraordinário. 

Hoje, em 2026, depois de termos a satisfação de no ano passado ter recebido o Oscar de melhor filme com "Ainda estou aqui", outra vez o nosso país é contemplado com 4 indicações para o filme "O Agente Secreto", cujo protagonista Wagner Moura, baiano arretado, concorreu como melhor ator. Não ganhamos, mas fizemos história, uma belíssima história. 

Os comentários ácidos sobre o filme e o ator Wagner Moura, emitidos por pessoas cujo fígado é o principal órgão do corpo, fazendo-o trabalhar de maneira muito acelerada, celebram não termos conseguido ganhar o prêmio, seja para o filme ou para o ator. Frases como "o filme é uma merd@" entre outros impropérios, revelam o quanto uma significativa parcela do nosso povo, está contaminado por um sentimento que é difícil de não se indignar. O ódio se travestiu de pensamento político e está fazendo estragos e só não vê quem não quer. 

A certeza que tenho é que quer queiram ou não, o Brasil chegou chegando na indústria do cinema internacional e não tem intenção nenhuma de sair.

Que os bons projetos continuem sendo contemplados por meio da Lei Rouanet e as empresas e pessoas patrocinem essa arte que além de empregar muita gente, mostra um Brasil que apesar dos pesares, está caminhando na luta para não mais assassinar seus heróis, mas reconhecê-los pois não existe herói mais importante que aquele que não se vale de uma guerra, para mostrar que merece tornar-se essencial ao país. 

Ps: Não sou crítico de cinema, mas um simples observador.

São Mateus-ES, 16/03/2026

Carlos Quartezani