segunda-feira, 16 de março de 2026

Valor não é preço

Consta que um dos membros da organização responsável por eleger o nome mais importante da literatura no Mundo, o Prêmio Nobel de Literatura, ao ser indagado sobre os motivos que levam o Brasil a nunca ter ganho o Prêmio, este teria respondido que o povo brasileiro assassina seus heróis, ou seja, o próprio brasileiro se encarrega de desvalorizar seus notáveis. 

O assunto que trago aqui não é exatamente sobre literatura, mas é sobre outra arte que nos últimos anos, tem nos feito refletir sobre as razões pelas quais temos tanta dificuldade em valorizar o que é nosso. 

Estou falando de Cinema, uma arte que há pouco tempo passou a elevar o Brasil mundialmente, pela sua qualidade e pela paixão com que se entregam os mais variados profissionais que atuam nessa área. 

Eu que não sou um ancião mas já passei dos cinquenta, nunca vi o cinema brasileiro ser tão valorizado Mundo a fora, desde que tivemos nossa primeira experiência exitosa quando quase conseguimos o maior prêmio do cinema com "Central do Brasil", filme no qual Fernanda Montenegro teve seu nome indicado ao de melhor atriz. O ano era 1999.

Não levamos o prêmio, mas o orgulho que senti por ser brasileiro, foi enorme. Embora saibamos que ser indicado ao prêmio já é um grande feito, mas claro que desejamos que Central do Brasil vencesse aquela edição do Oscar.

O filme não levou a cobiçada estatueta, mas não perdeu o prêmio para qualquer filme. O vencedor naquele ano foi o esplendoroso "A vida é bela", do italiano Roberto Benigni que sensibilizou o mundo com a história do judeu que mesmo sob o terror nazismo, não permitiu que seu "bambino" visse a face do mal. Não perdemos o Oscar, foi o outro filme que era extraordinário. 

Hoje, em 2026, depois de termos a satisfação de no ano passado ter recebido o Oscar de melhor filme com "Ainda estou aqui", outra vez o nosso país é contemplado com 4 indicações para o filme "O Agente Secreto", cujo protagonista Wagner Moura, baiano arretado, concorreu como melhor ator. Não ganhamos, mas fizemos história, uma belíssima história. 

Os comentários ácidos sobre o filme e o ator Wagner Moura, emitidos por pessoas cujo fígado é o principal órgão do corpo, fazendo-o trabalhar de maneira muito acelerada, celebram não termos conseguido ganhar o prêmio, seja para o filme ou para o ator. Frases como "o filme é uma merd@" entre outros impropérios, revelam o quanto uma significativa parcela do nosso povo, está contaminado por um sentimento que é difícil de não se indignar. O ódio se travestiu de pensamento político e está fazendo estragos e só não vê quem não quer. 

A certeza que tenho é que quer queiram ou não, o Brasil chegou chegando na indústria do cinema internacional e não tem intenção nenhuma de sair.

Que os bons projetos continuem sendo contemplados por meio da Lei Rouanet e as empresas e pessoas patrocinem essa arte que além de empregar muita gente, mostra um Brasil que apesar dos pesares, está caminhando na luta para não mais assassinar seus heróis, mas reconhecê-los pois não existe herói mais importante que aquele que não se vale de uma guerra, para mostrar que merece tornar-se essencial ao país. 

Ps: Não sou crítico de cinema, mas um simples observador.

São Mateus-ES, 16/03/2026

Carlos Quartezani

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