domingo, 22 de março de 2026

Neymar

Vocês sabem que eu me amarro em polemizar não é? É de nascença, eu acho. Mas como não polemizar quando o assunto é futebol e principalmente quando se trata da Seleção Brasileira...

Eu que sou um dos privilegiados que viram a Seleção de 1982 (a melhor de todos os tempos) em ação, além das demais que vencemos, não tenho me empolgado com a nossa seleção atual nos últimos anos, e continuo assim. Empolgação zero!

Só um milagre nos faria vencer a próxima Copa do Mundo. Nossos vizinhos Argentina, Colômbia, Uruguai, por exemplo, que por sinal prestam bons serviços ao futebol brasileiro, com jogadores de alta categoria nos times daqui, estão muito bem servidos e acredito que a possibilidade é enorme de um desses países seja o melhor do mundo em 2026.

Dito isto, eis a polêmica: Sou a favor de separar uma vaga para Neymar na seleção brasileira. Não tem substituto para ele no momento, na posição que joga. E mesmo que não esteja em suas melhores condições físicas, poder contar com a sua presença em campo, é um ingrediente a mais para que os adversários nos respeitem. 

O que vi até agora, não faz medo nem a uma criança!

São Mateus-ES, 22/03/2026

Carlos Quartezani

segunda-feira, 16 de março de 2026

Valor não é preço

Consta que um dos membros da organização responsável por eleger o nome mais importante da literatura no Mundo, o Prêmio Nobel de Literatura, ao ser indagado sobre os motivos que levam o Brasil a nunca ter ganho o Prêmio, este teria respondido que o povo brasileiro assassina seus heróis, ou seja, o próprio brasileiro se encarrega de desvalorizar seus notáveis. 

O assunto que trago aqui não é exatamente sobre literatura, mas é sobre outra arte que nos últimos anos, tem nos feito refletir sobre as razões pelas quais temos tanta dificuldade em valorizar o que é nosso. 

Estou falando de Cinema, uma arte que há pouco tempo passou a elevar o Brasil mundialmente, pela sua qualidade e pela paixão com que se entregam os mais variados profissionais que atuam nessa área. 

Eu que não sou um ancião mas já passei dos cinquenta, nunca vi o cinema brasileiro ser tão valorizado Mundo a fora, desde que tivemos nossa primeira experiência exitosa quando quase conseguimos o maior prêmio do cinema com "Central do Brasil", filme no qual Fernanda Montenegro teve seu nome indicado ao de melhor atriz. O ano era 1999.

Não levamos o prêmio, mas o orgulho que senti por ser brasileiro, foi enorme. Embora saibamos que ser indicado ao prêmio já é um grande feito, mas claro que desejamos que Central do Brasil vencesse aquela edição do Oscar.

O filme não levou a cobiçada estatueta, mas não perdeu o prêmio para qualquer filme. O vencedor naquele ano foi o esplendoroso "A vida é bela", do italiano Roberto Benigni que sensibilizou o mundo com a história do judeu que mesmo sob o terror nazismo, não permitiu que seu "bambino" visse a face do mal. Não perdemos o Oscar, foi o outro filme que era extraordinário. 

Hoje, em 2026, depois de termos a satisfação de no ano passado ter recebido o Oscar de melhor filme com "Ainda estou aqui", outra vez o nosso país é contemplado com 4 indicações para o filme "O Agente Secreto", cujo protagonista Wagner Moura, baiano arretado, concorreu como melhor ator. Não ganhamos, mas fizemos história, uma belíssima história. 

Os comentários ácidos sobre o filme e o ator Wagner Moura, emitidos por pessoas cujo fígado é o principal órgão do corpo, fazendo-o trabalhar de maneira muito acelerada, celebram não termos conseguido ganhar o prêmio, seja para o filme ou para o ator. Frases como "o filme é uma merd@" entre outros impropérios, revelam o quanto uma significativa parcela do nosso povo, está contaminado por um sentimento que é difícil de não se indignar. O ódio se travestiu de pensamento político e está fazendo estragos e só não vê quem não quer. 

A certeza que tenho é que quer queiram ou não, o Brasil chegou chegando na indústria do cinema internacional e não tem intenção nenhuma de sair.

Que os bons projetos continuem sendo contemplados por meio da Lei Rouanet e as empresas e pessoas patrocinem essa arte que além de empregar muita gente, mostra um Brasil que apesar dos pesares, está caminhando na luta para não mais assassinar seus heróis, mas reconhecê-los pois não existe herói mais importante que aquele que não se vale de uma guerra, para mostrar que merece tornar-se essencial ao país. 

Ps: Não sou crítico de cinema, mas um simples observador.

São Mateus-ES, 16/03/2026

Carlos Quartezani