sábado, 10 de janeiro de 2026

Um pouco mais de paciência

O mundo ficou chato. Estamos, parece, regredindo. Quanto mais eu leio as notícias, mais percebo que estamos vivendo um estranho caso de uma existência que se autoimplodiu, contrariando a lógica da natureza, que prescinde que devemos nos adaptar às mudanças e não sucumbir a elas.

É gente enlouquecendo por todos os lados, sem distinção de classe social, raça, credo, etc. Por nada, se entra em atrito com o semelhante como se o único recurso fosse a violência, sem dar qualquer chance ao diálogo. Ao contrário, parece ser algo que para alguns, proporciona até um certo prazer, em ver o outro machucado, humilhado e em alguns casos, até morto. 

Recentemente, na minha cidade, Conceição da Barra, um jovem teve sua vida ceifada, por um outro jovem, que teve por "arma do crime" seu próprio veículo. Não vou entrar em detalhes sobre o caso pois o que sei, li nos jornais, mas ficou claro para mim que a tragédia se deu mais uma vez pelo desequilíbrio pelo qual estamos vivendo nesta quadra da vida. 

Não é apenas rotineiro esse desequilíbrio emocional. De uns tempos pra cá tornou-se cultural como se o diálogo, a diplomacia, fosse algo que não existisse mais, algo que não mais atende às necessidades dos nossos tempos. A máxima voltou a ser "olho por olho, dente por dente", infelizmente. 

Precisamos refletir sobre isto. Líderes em todo o mundo, mas especialmente em nosso país, precisam retornar ao tempo do diálogo, parar definitivamente de provocar o ódio pois a doença já atingiu a todos, governantes e governados. Lado A contra o lado B, se vê em tudo, numa espiral de violência que se espraiou até nos lugares que antes eram plenamente pacíficos ou, no mínimo, com menos violência do que vemos hoje. 

Frases como "bandido bom é bandido morto", tornou-se parte da rotina. O devido processo legal, previsto na nossa Constituição é confundido com proteção a bandido como se fosse possível alguém julgar o outro, não tendo todos os fatos devidamente analisados e comprovados e assim chegar a uma punição exemplar e que de fato corrija o indivíduo. 

Um pouco mais de paciência, como cantou o artista brasileiro Lenine, nos faria muito a todos, pois no rumo que está, estaremos pavimentando o caminho para o abismo, um tenebroso abismo. 

São Mateus-ES, 10/01/2026

Carlos Quartezani

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Maestro

Sempre que tenho oportunidade, falo das razões pelas quais sou admirador da minha terra natal, Conceição da Barra. É quase uma obrigação, prá mim, enaltecer os seus valores. Nós, os barrenses, somos quem melhor pode fazê-lo. 

Dentre esses valores a que me refiro, na arte e na cultura estão os principais destaques. 

São muitos os nossos artistas e que oportunamente escreverei a respeito aqui. Mas hoje, quero falar especificamente sobre um desses talentos que para meu orgulho, é parte da minha família. Meu primo Valmar!

O Maestro Valmar da Costa Graça, neto e irmão dos saudosos brincantes da manifestação folclórica O Alardo, Bianor Graça e Deurlene da Costa Graça, respectivamente, dedica sua arte à manutenção de uma das mais tradicionais atrações culturais da cidade, a Bandinha, que na estação verão promove alegria aos turistas, tocando marchas carnavalescas nas principais avenidas da cidade, uma marca do verão barrense. 

Valmar é músico iniciado pelos maestros, também saudosos, Manoel Romão do Nascimento Filho, o querido "seu Duquinha" e Hildeu Alves Pereira, ambos sempre mencionados por ele com muito carinho e respeito, por onde quer que vá. O reconhecimento aqueles que lhe ensinaram a arte, é do caráter de Valmar. 

A foto que ilustra o texto é o Maestro Valmar que com extremo orgulho colabora para que a cidade de Conceição da Barra continue valorizando sua cultura e atraindo famílias para curtir a cidade que nasceu de um beijo. 

São Mateus-ES, 06/01/2026

Carlos Quartezani



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O dono da bola, do campo e das camisas

O cidadão comum, digo aquele que não tem no seu cotidiano a observância das regras que nos regem a todos, tem menos condições de avaliar a aplicação dessas regras. No máximo, opina emocionalmente como alguém que escolheu acreditar num determinado discurso, ou narrativa como costumam chamar agora. 

Para jogar, o fundamental é conhecer as regras pois que ainda que vença o jogo, se infringiu uma das regras, essa vitória é nula. Isto vale também na política!

O Princípio da Autodeterminação dos Povos, que quer dizer que cada povo escolhe quem os governa, estabelece sua religião ou não e garante sua cultura e seus costumes, é fundamental para que haja paz suprema. Violar esse princípio implica em querer voltar ao tempo da guerra, dos grandes conquistadores em períodos da história bem longínquos onde a lei era do mais forte.

Vejo aqui nas redes sociais muitos comentários a respeito dos fatos políticos recentes, nos quais observa-se uma paixão descontrolada, como se cada um dos lados fosse o dono da solução genuína.

Não, eles não tem solução, mas tem apenas um desejo incontrolável de ter razão, portanto, não sobra espaço para avaliar se o outro lado tem uma proposta que caiba desenvolvimento de verdade e não apenas enriquecimento. Existe uma diferença entre se desenvolver e enriquecer. Se você não tem com quem compartilhar, sua riqueza é apenas dinheiro.

Precisamos nos atentar para o perigo do fim da democracia na América Latina. Se alguém não sabe a importância que isso tem, porque nasceu na democracia, dê uma passadinha nos livros de história, e seus mais variados autores, e faça uma reflexão mais sóbria e um pouco menos apaixonada.

E aos da minha geração e a anterior, não esqueçam que a vida nem sempre foi boa, pois por 21 anos o povo brasileiro teve que concordar com o governo em tudo, absolutamente tudo. Quem era contrário era convidado a se retirar, quando não saia por outros meios. 

A democracia é um valor e negligenciá-la é uma tragédia!

São Mateus-ES, 05/01/2026

Carlos Quartezani

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Cargos comissionados

Minha cidade, Conceição da Barra, virou notícia essa semana com o tema do projeto de lei enviado a Câmara pelo Poder Executivo, propondo uma reforma administrativa que consistiu em criar 87 cargos comissionados com salários variados, dentre os quais, o de Superintendente, o maior de todos, 15 mil reais. 

Eu sempre procurei utilizar de minha escrita para dar minha contribuição na formação política da sociedade. Quem acompanha meu trabalho sabe que valorizo muito o conhecimento pois nos facilita, inclusive, entender as coisas sob um ponto de vista que não se resuma no emocional. A razão nem sempre está em concordância com o coração.

O tema gerou polêmica e determinou um adiamento da votação na Câmara. Um dos parlamentares, alegando que o projeto precisa ser melhor analisado nas Comissões da Casa Legislativa, conseguiu suspender o regime de urgência cuja aprovação, permitiria nomear os comissionados a partir do início do próximo ano. 

Vejo com naturalidade os movimentos, tanto do Executivo que ao ser eleito adquiriu a prerrogativa de conduzir a administração do município, o que inclui fazer a reforma administrativa que achar necessária e o Legislativo, que tem o dever de aprovar ou não, mediante análise criteriosa como propõe os nobres edis.

Ter uma opinião e poder externá-la é legítimo e caracteriza o estado democrático de direito. As manifestações contrárias tem suas razões. No entanto, na medida em que os Poderes em harmonia decidem, o que nos cabe é torcer para que o que foi decidido, se reverta em benefício da coletividade, ainda que em princípio não consigamos enxergar o benefício.

Se o município tem e terá recursos, por exemplo da indenização Vale/Samarco, é apropriado que uma Secretaria Municipal do Meio Ambiente seja criada, para que os recursos alocados sejam de fato com foco na recuperação do que foi perdido no acidente ambiental de Mariana-MG. 

Se o objetivo for outro, não republicano, temos os órgãos competentes para fiscalizar e cobrar respostas e um deles é a Câmara Municipal. 

No mais desejo um feliz Natal aos meus conterrâneos e que Deus esteja conosco sempre, nos permitindo ter esperança, sem a qual nada seria possível. 

São Mateus-ES, 24/12/2025

Carlos Quartezani

domingo, 2 de novembro de 2025

Autoridade

Autoridade

Houve um tempo em que a palavra autoridade remetia a uma pessoa, ocupante de um determinado cargo, cuja presença se impunha naturalmente. 

Um olhar de reprovação de um pai ou mãe, era suficiente para que o filho refletisse sobre o que fez e ajustasse a sua conduta. Eis um bom exemplo do que significa autoridade!

Porém, convém destacar que autoridade é um instrumento que existe para que aquele que está sob ela, não desobedeça, do contrário, perderá o sentido o referido instrumento, afinal, para quê a autoridade se não funciona? Liberdade não é anarquia.

Alguém pode até achar que isto é coisa de ditadores e que liberdade é algo que não combina com obediência. No entanto, é necessário alertar que a liberdade não é uma renúncia ao sistema que o filósofo chamou de "contrato social". 

Não é algo que se pode entender como "posso fazer o que eu quiser". Se for definido como ilícito, existem as consequências. 

Democracia não é a liberdade para fazer o que quiser, mas o que as regras deste pacto social permitem. Aonde termina o meu direito, começa o seu direito. Seja pessoa física ou jurídica, todos estamos submetidos à mesma Lei!

Portanto, o exercício da autoridade é legítimo. Uma vez investido no cargo, você tem autoridade. Contudo, a autoridade também está regida pela mesma Lei e qualquer excesso, pode lhe custar até mesmo, o cargo. 

São Mateus-ES, 02/11/2025

Carlos Quartezani

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Guerra fria, outra vez?

Nos anos pós 1945, com a vitória da tríplice aliança (EUA, Inglaterra e Rússia) sobre o Eixo do Mal (Alemanha, Itália e Japão), na 2a Guerra Mundial, os EUA e a Rússia iniciaram uma guerra sem armas, uma guerra psicológica, mas que desencadearia muitas tragédias, especialmente na América Latina. A pretexto de combater o "Comunismo", regime adotado pela Rússia e a China, os norte-americanos resolveram sufocar os países que ousassem aderir ao Comunismo. 

Foi assim que surgiu os embargos ao pequeno país situado no mar do Caribe, a poderosa (só que não) Cuba. Com a revolução que ascendeu o comunista Fidel Castro ao poder, os norte-americanos decidiram isolar o país impondo um total fechamento do comércio entre os dois países, restando a Fidel viver conforme suas próprias forças com o auxílio da Rússia. 

Não pretendo aqui explorar tudo o que aconteceu nesse período até os dias de hoje. Não seria possível nem que eu fosse o gênio da escrita. Mas o que quero alertar é que o mundo de hoje é outro e os EUA não têm mais a relevância que tinha no pós-guerra e querer sufocar a economia de um país como o nosso, vai ser um tiro no próprio pé. 

Que os brasileiros compreendam que essa luta é do povo brasileiro e não de quem está no governo neste momento. O ideal é esquecer seu político de estimação e olhar para o que mais importa que é a soberania e os nossos produtos. Caso estes produtos não interessem aos norte-americanos, taxando-os de maneira absurda, a outras Nações devem interessar. 

Pode não ser tão simples como eu tento passar aqui com essas palavras, pois não sou especialista em relações de comércio internacional, mas mais complicado é ser chantageado e não reagir à altura. 

Viva o Brasil!!!

Carlos Quartezani

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Competir não, vencer!

Eu não saberia dizer em que momento nos perdemos, mas é certo que nos perdemos e o pior é que não temos noção do quanto nos perdemos e muito menos aonde está a saída. 

Estou me referindo à tal competitividade que tem nos tragado diurtunamente para o abismo e digo sempre "abismo" porque nenhuma outra palavra melhor me ocorre, para esse mundo que vivemos hoje. 

Tudo é disputa. Quando vence, é um herói; quando perde, é um inútil. E assim caminha a humanidade, ou pelo menos a humanidade brasileira. 

O fenômeno está em todas as áreas da vida e citá-las necessitaria algumas páginas e como a minha proposta aqui é ser sucinto, vou me ater ao esporte, mas destacando que vale para "todas as áreas da vida".

Aqui vai alguns exemplos: Quando o time do coração vence uma partida de futebol, a euforia é de como se fosse a final do campeonato; quando perde, o time cai no limbo. Se o mesa-tenista Hugo Calderano vence uma partida histórica, é ovacionado; quando perde a final para o melhor do mundo, não vale quase nada. Se João Fonseca sobe várias posições no ranking mundial de Tênis, não tem valor algum pois foi desclassificado na terceira rodada de Rolland Garros, na França. 

Enfim, para os brasileiros de hoje só resta a glória ou o limbo e o pior é que não é só nos esportes, é em quase tudo!

Não digo que estou pregando aqui um culto à derrota. Não, não se trata disso. Mas é sobre como tentar valorizar as pessoas e o seu talento, tendo chegado tão longe sobretudo num mundo onde a competitividade ganhou contornos tão desumanos. 

É vencer ou vencer. O que passar disso, é o fim da pessoa e toda a sua dedicação para chegar tão perto do objetivo. Definitivamente, não está certo. 

Escolhi os esportes para abordar o assunto, porque é onde percebo a maior incidência desse fenômeno. Nada que não for a vitória, interessa. E com o auxílio das redes sociais, ficou muito mais fácil destilar ódio àqueles que não venceram e portanto não merecem nenhum respeito ou um amor incondicional e absurdo, àqueles que venceram mesmo que por meios pouco ou nada nobres. 

Não tenho formação específica em sociologia, psicologia ou outra ciência que estude o indivíduo ou a sociedade, mas me atrevo a escrever com base no que observo. E o que observo está muito mais para um mundo próximo de uma virada, dessas narradas pela Bíblia como o grande Dilúvio anunciado por Noé.

Carlos Quartezani