domingo, 9 de outubro de 2011
Fé, Ciência, Democracia
domingo, 25 de setembro de 2011
A velha senhora faz 120 anos
As pequenas e médias cidades brasileiras, tais como Conceição da Barra no norte do Espírito Santo, estão vivendo um momento que podemos chamar de atípicos, do ponto de vista político/administrativo. Nota-se que uma parcela da população está, diria, “encantada” com a quantidade de obras em andamento - em algumas regiões do município - dentre as quais os convênios estabelecidos com os governos estadual e federal, na administração anterior, permitiram que a postura gerencial da atual administração, tornasse tais obras possíveis, embora, a lentidão, tenha desagradado uma parcela desta mesma população, provocando a tão famosa “letargia” face ao ano eleitoral que se aproxima. O prédio da Prefeitura Municipal é um exemplo emblemático.
O que tem me chamado a atenção e isso me parece ser uma realidade também na cidade vizinha (São Mateus) é que a postura dos respectivos gestores públicos, provocou uma total distância da população em relação às decisões políticas. A participação popular que já era insuficiente, tornou-se raríssima com a administração dos atuais gestores. Empresários, tanto Jorge Donatti, de Conceição da Barra, quanto Amadeu Boroto, em São Mateus, fazem uma leitura semelhante do que seja “governar”, entendendo que o importante é fazer obras, ignorando, inclusive, a necessidade de se reformar as que já existem. Quanto a consultar a sociedade, não se faz necessário uma vez que, eleitos, receberam do povo o aval para “agirem do modo que melhor lhes convierem”.
Não posso concordar com tal postura e se o fizesse estaria negando minha própria teoria de que “governar”, não é apenas “administrar”. Quando se governa há que se observar, sobretudo, o que as pessoas entendem sobre o que é melhor para a cidade, considerando inclusive aspectos culturais, sociais e educacionais, não permitindo que as decisões em benefício de “um povo”, sobrepuje ao princípio básico da democracia que é “governar para o povo”.
Não é novidade para ninguém que a nossa juventude, especificamente em Conceição da Barra, está totalmente sem norte e envolvida numa panacéia administrativa que supõe que todos os problemas serão resolvidos na medida em que se calça ruas e constrói o calçadão na praia para que, aos olhos dos visitantes, tudo esteja maravilhoso e que a escalada da violência no município, por exemplo, não tem nenhuma relação com o governo municipal, e sim, com a realidade em todo o Brasil.
De fato, problemas envolvendo jovens desestimulados e envolvidos com drogas existem em todo o país, entretanto, o que não podemos admitir é que não se faça absolutamente nada, a nível municipal, para que essa geração, que tem o privilégio de viver num país com moeda estável, não possa ser melhor aproveitado inclusive recebendo um tratamento governamental que o estimule a participar dos debates políticos, o que não ocorre em Conceição da Barra e que eu lamento profundamente.
Os defensores do atual governo o fazem, quase sempre, usando a medida parcial da sua condição de beneficiários, seja na condição de empregados ou de fornecedores. Contudo, o que se nota é que setores como os pequenos e médios empresários, estão à deriva, aguardando, como sempre, a chegada do carnaval, quando recebem uma espécie de overdose de receitas, mas que logo se dissipam com o findar do período da estação verão. Nos distritos, a realidade não é diferente, afinal, a política de governo vale para todo o município.
Não há outra forma de ser fazer um bom governo se não existe, por parte da administração municipal, a intenção de ver a sociedade organizada, debatendo os assuntos e contribuindo na tomada de decisões. Na qualidade de cidadão barrense, faço esse registro na expectativa de que as pessoas que não abrem mão do direito de pensar, tome posição e aproveite o ano que se aproxima para discutir um novo modelo de governo, que possibilite, sobretudo, a construção de uma Conceição da Barra a várias mãos tal como esta “velha senhora” de 120 anos merece.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Direitos Humanos: podem ser celebrados?
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Cidadania Municipal e Alfabetização Universal
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Sensibilidade e Direito
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Carnavais fora de época
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Mais educação, menos presídios
Estou sempre utilizando os espaços que tenho para propor às pessoas reflexão acerca da nossa participação nos assuntos relacionados à política. Parafraseando um certo senador da República, sou adepto ao “samba de uma nota só”, e com isso acabo pagando um alto preço por esta insistência.
Mas não quero falar do preço que pago, porque sei que vale a pena. Quero tratar, especificamente, é da pouca ou nenhuma importância que dispensamos aos assuntos que nos levam a conclusões precipitadas ou até mesmo injustas em relação às decisões de governo, sejam os mesmos municipal, estadual ou federal.
Vou citar um exemplo desses equívocos que cometemos por não entender a dinâmica da participação política e que neste caso envolve os Direitos Humanos.
Recebo sistematicamente em minha caixa de e-mails, um texto no qual as pessoas, de modo geral, se queixam que o governo federal concede um auxílio-financeiro às famílias, cujos provedores (os pais das crianças) estejam presos. A revolta expressa nas palavras contidas no texto não deixa dúvidas de que se trata de algo “absurdo e inaceitável o governo sustentar bandido e sua família”, porém, a nossa Constituição Federal em seu 1º Artigo deixa claro quais são os fundamentos do estado democrático de direito e que contempla a “dignidade da pessoa humana”.
Aonde está esse “direito” quando um indivíduo cerceado do direito ao conhecimento, passa a infringir a Lei e agir de acordo com a suas próprias regras? Não seria o próprio estado o responsável pelo “marginal” que gerou na sociedade e portanto cabe a ele, o estado, prover sua família e evitar que os seus filhos sejam os futuros ocupantes da cela na qual o pai está encarcerado?
Precisamos rever nossos conceitos quando tiramos conclusões sobre questões como esta. É muito simples apontar culpados sem nos preocupar com a origem do problema. Estamos na eminência de nos tornar um dos países mais importantes do Mundo (se é que já não somos) e a preservação dos direitos humanos é uma das principais características de uma Nação que quer ter o título de desenvolvida.
Não parece justo o estado pagar o sustento das famílias dos presidiários, mas a nossa ignorância e o pensamento egoísta ao enxergar o problema por um só ângulo, legitima essa ação do estado, pois enquanto não tivermos o altruísmo como mola propulsora do nosso caráter, o estado terá sempre que fazer este papel sob pena de a tragédia social ser ainda maior do que já é hoje.
Quantas vezes agimos desleixadamente ao escolher os nossos representantes, ao votar em qualquer um ou votar em alguém usando critérios sem nenhum cabimento? Atitude como esta é que fazem brotar na sociedade o marginal que vai ser beneficiado com o dinheiro público. Não somos pessoas más, apenas temos um conceito de justiça que não leva em conta o quanto somos responsáveis pelas mazelas existentes na sociedade. A cada vez que ouço alguém dizer que detesta política e por isso não participa dela, vejo aumentar o número de pessoas que jamais se interessarão sobre os motivos que levam as pessoas a estarem encarceradas e o estado, ou melhor, o povo, sustentando suas respectivas famílias.
Quer que o governo não pague o sustento das famílias dos presos? Assuma o seu papel de cidadão e participe dos debates políticos, desta forma, você estará contribuindo para que as decisões de governo contemplem investimento em EDUCAÇÃO , ao invés de construção de PRESÍDIOS.