quinta-feira, 5 de maio de 2022

A batalha inglória de Bolsonaro contra a Cultura

Nenhum governante, que se considere democrático, pode reagir aos opositores sufocando a sua existência. 

O artista, especificamente, é um profissional importante e quanto mais e melhor o Estado o auxilia - ainda que apenas não atrapalhando seus processos - toda a sociedade sairá beneficiada. 

Ninguém vive apenas por comida e bebida. A arte e a cultura tem seu fundamento na existência humana, portanto, impedir que ela seja exercida, por infelizmente não possuirmos uma cultura de valorização daquilo que não é "nem comida e nem bebida", afasta em definitivo qualquer possibilidade de tornar as diversas formas de arte auto-sustentável.


Carlos Quartezani

terça-feira, 3 de maio de 2022

Boas escolhas e a motivação

A motivação errada tende a nos oferecer, quase sempre, uma resposta errada. Por mais que nos esforcemos, que apliquemos toda nossa energia e conhecimento em favor de um determinado projeto, se a motivação estiver errada, não chegaremos ao objetivo proposto.

Na política não é diferente. Quanto poderíamos ter avançado se a massa populacional compreendesse que o erro não está na escolha deste ou daquele, mas o que nos motivou a escolher este ou aquele?

Há quase 4 anos, por conta de uma avassaladora e necessária onda de combate a corrupção, capitaneada pelo Ministério Público, a Polícia Federal e a atuação (hoje questionável) do Poder Judiciário do Paraná, na figura do ex Juiz Sérgio Moro, o Brasil votou tendo por motivação um sentimento que é totalmente compreensível, mas que efetivamente não deve ser aplicado a todos os casos.

O ódio não é um bom conselheiro, principalmente sobre em quem votar. O político é parte do sistema que organiza a sociedade e se o ódio for o ingrediente predominante, acho que não conseguiremos chegar aonde queremos.

Mas, como dizem, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar e espero que o mesmo não aconteça nas próximas eleições em que se usarmos, outra vez, a motivação errada estaremos repetindo o erro e tendo resultado insatisfatório.

Considero tão fundamental esse tema da motivação que proponho um questionamento, para quem até aqui acompanhou meu raciocínio e me dá o privilégio de ler o que escrevo. 

Diante mão quero deixar bem claro que não estou "profetizando" ou "desejando" a morte de ninguém, mas tão somente fazendo uma suposição.

Vamos lá, supondo que os candidatos a Presidente da República, considerados favoritos de acordo com as pesquisas recentes, viessem a morrer. Por razões naturais e sem nenhuma ação de terceiros. Qual seria a motivação das pessoas para votar, já que as figuras que até então representavam o seu conjunto de valores para liderar a Nação, não existem mais? E, convenhamos, para morrer basta estar vivo, não é?!

Neste caso o que consigo visualizar, são milhares de órfãos da política de má qualidade, sem motivo algum para votar pois a única ideia que aceitou foi a de que "o meu candidato é honesto e o do outro não", como se isto fosse o único fundamento suficiente para colocar alguém no cargo mais importante do país.

Não quero dizer com isto que a desonestidade não seja uma chaga na nossa sociedade. Isto é inegável. Mas, que transformar um princípio básico para a boa convivência humana, num atributo suficiente para aquele que vai governar, é de fato muito pouco. Merecemos mais que isto!

Se a minha suposição viesse a efeito, gostaria que os órfãos da política de má qualidade encontrassem pais adotivos que lhes oferecessem uma outra visão de mundo e que a essencial Política, com P maiúsculo, passasse a nortear as suas vidas, afinal, se a motivação estiver correta a probabilidade de ter bons resultados, é maior.


Carlos Quartezani

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Tiradentes, o heroi brasileiro

Em 21 de Abril de 1792, era executada a sentença de morte de Joaquim José da Silva Xavier, um dos líderes da Inconfidência Mineira. Precursor da República, Tiradentes, como era chamado, foi o único a ser morto entre os líderes e de forma bárbara, para que servisse de exemplo para outros que tentassem se opôr à ordem estabelecida.

Sempre que o poder se concentra, seja uma pessoa ou instituição, a tendência é que haja excessos. Neste período específico, Portugal e boa parte da Europa vivia esse ambiente de mudanças que certamente preocupava a ordem estabelecida, especialmente na França com a revolução. A reação veio em forma de crueldade no Brasil, colônia de Portugal, com a ordem da Rainha Maria I para liquidar o foco da rebelião, matando e esquartejando Tiradentes.

Os abusos praticados pelos poderosos fizeram surgir homens com a coragem do alferes Joaquim José da Silva Xavier, que assistia ao sofrimento do povo, em virtude da alta carga tributária paga à Coroa portuguesa, e não achou justo se calar. Foi traído mas seu exemplo permaneceu.

Viva Tiradentes, o herói brasileiro!

#inconfidenciamineira

domingo, 3 de abril de 2022

Somos grandes demais para sermos tão pequenos

No meu Estado, os pré candidatos Guerino Zanon, Audifax Barcelos, Erik Musso, Cesar Colnago e Felipe Rigoni deverão dialogar e tentar chegar num denominador comum, acerca de uma candidatura ao governo do Estado. É preciso uma alternativa às duas candidaturas consideradas naturais.

Não se trata, neste caso de "projeto pessoal" mas de oferecer ao povo capixaba a chance de escolher além dos extremos. Extremos estes, no Espírito Santo, representados pelo socialista Renato Casagrande, cuja aliança com o PT está sacramentada e o Bolsonarista, Carlos Manato.

Estou nessa expectativa, tanto em nível nacional quanto no Estado. Ter uma alternativa diferente desses dois fortalecerá a democracia, possibilitará um debate mais propositivo e quem ganha é o povo, capixaba e brasileiro.

A democracia pressupõe ESCOLHER e quando só há duas alternativas esse princípio perde sua eficácia, prevalecendo o "bem contra o mal" e sabemos que na política, não é fácil identificar exatamente quem é um e quem é o outro.

Se o "mal", por exemplo, é fazer o que é preciso e o "bem" fazer o que as pessoas querem, quem é um e quem é o outro só saberemos quando vierem os resultados. 

Minha experiência aponta que na maioria das vezes, o populismo, marca indelével desse "mal contra o bem", não apresenta resultado algum. Oferece o prato de comida no momento da fome, mas ninguém faz uma refeição só. Tem o almoço e o jantar, no mínimo. 

O voto, aprisionado pelo populismo, nos faz dar um passo a frente e dois para trás e não merecemos mais isso. O Espírito Santo e o Brasil são grandes demais para serem tão pequenos.

Pensem, logo existam!

Carlos Quartezani

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Cancelar a ignorância é urgente

Esta semana, um assunto que está dominando as redes sociais do país, ou pelo menos uma boa parte dele, foi a declaração de um Youtuber conhecido como Monark, de que "no Brasil deveria ter Lei que garantisse o direito de se ter o Partido Nazista registrado".

Considerando se tratar de alguém conhecido, que apresenta um programa de entrevistas na internet (Podcast) e que certamente não é analfabeto, fica muito difícil desculpá-lo por tão infeliz declaração. 

O pedido de desculpas aconteceu. Que não foi bem isto o que quis dizer, pois estava bêbado. Soou como um arrependimento típico de quem percebeu que fez besteira. Mas a boca fala do que o coração está cheio. A outra explicação, é a ignorância mesmo.

O ambiente criado em nosso país, que fomenta o ódio em tempo integral, pode estar levando as pessoas a ler muito menos o que importa e muito mais aquilo que lhe pode conferir lucro ou simplesmente lazer. 

Acho que estamos precisando rever nosso conceito sobre a educação, inclusive política, e passar a entender exatamente o que está acontecendo e buscar soluções. 

Não só apenas obras literárias e de grande valor testemunhal, como o Diário de Anne Frank e outras mais, temos um farto material produzido pelo próprio Nazismo, que possibilitou a criação de vários documentários retratando o horror que foi a 2a Guerra Mundial, em especial para o povo Judeu, alvo do extermínio de Adolf Hitler. 

Não pode haver dúvidas quanto ao nível de barbaridade cometida pelos adeptos do Nazismo. Este "filme" não pode se repetir. É uma vergonha eterna para toda raça humana.

Não vou negar. Sempre que quero assistir a um desses documentários ou filmes baseados no horror da Guerra, me emociono e choro diante da TV. 

É muito difícil entender o que leva um ser humano a odiar tanto o outro. Como conseguir encontrar algum tipo de explicação para que crianças tenham sido colocadas aos milhares, em vagões de trens, para que fossem mortas sufocadas com gás? Não preciso nem mencionar as outras atrocidades.

Não, eu não entendo. Não entendo...

O rapaz que falou tamanha bobagem, não é o único, não está só. Por isto, no lugar de "cancelá-lo" como é comum nos dias de hoje, convido a todos que estão lendo este texto a não permitir que a barbárie que levou a morte mais de 6 milhões de seres humanos, nunca seja esquecida para que nunca mais se repita e para isto, é preciso saber mais sobre ela.

Forte abraço!

Carlos Quartezani

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Democracia, sob a ótica de quem?

Muito se fala sobre a importância da democracia, o valor da liberdade de expressão e o direito de pensar livremente e agir conforme, sem as amarras da censura.

Mas, e quanto ao direito do outro de ter um outro olhar sobre como seria um mundo melhor? 

Se realmente somos defensores da democracia, precisamos considerar que o pensamento diferente do nosso, deve ser aceito naturalmente e se houver luta, que seja tão somente no campo das ideias, afinal, se o meu semelhante não torce para o meu time, isto é bom. Como haveria jogo se não houver um adversário do outro lado do campo? 

Veja bem, ad-ver-sá-rio e não i-ni-mi-go!

No entanto, na prática, o que vemos no cotidiano, principalmente no ambiente virtual, são saraivadas de ofensas vindas muitas vezes de gente que diz defender a democracia, num misto de péssimo português com uma capacidade insuperável de agredir ao outro, apenas porque não concorda com ele.

Aonde está escrito que a democracia pressupõe apenas o seu direito de pensar como queira e o outro não? Se eu não concordo com algo e sou um defensor da democracia, eu não deveria considerar que existe um pensamento diferente do meu e para tanto preciso lidar com isto?

A frase não é minha, mas é do filósofo iluminista francês Voltaire (1694-1778): "Não concordo com uma só palavra que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las".

Isto deveria por si só encerrar o assunto, mas com o passar do tempo e em especial nos dias de hoje, a máxima defendida há tanto tempo atrás, ainda se faz necessária continuar sendo lembrada em face da dificuldade das pessoas em não achar bonito o que não é espelho.

No caso específico da política, ambiente no qual o ódio é alimentado pelo simples fato de uns não concordarem com os outros e vice-versa, estaremos assistindo ao verdadeiro teatro dos horrores e o que se pode esperar para um futuro breve, quando o processo eleitoral ganhar as ruas, deverão ser cenas deprimentes de pessoas civilizadas se comportando como se não fossem - por conta de paixões que com toda certeza, está longe de ser o que resolverá o problema de ter ou não ter um país bem governado - e a verdadeira solução passando ao largo, sem que a cegueira imposta pela ignorância, nos permita ver.

Escrevo essas palavras no dia de hoje, e hoje é 03/02/2022, na esperança de que eu possa, mais a frente dizer: Eu estava errado e tudo o que eu previ, não aconteceu. 

Carlos Quartezani

domingo, 12 de dezembro de 2021

Não é sobre a religião, é sobre fé

Tratarei de um tema nesta crônica que fatalmente será interpretado por alguns, talvez até pela maioria, como uma espécie de proselitismo religioso. Porém, antecipo que não se trata disso, mas da potência de uma energia da qual todo ser humano é dotado, mas infelizmente nem todos conseguem colocá-la em sintonia com aquele que criou o universo, a saber, Deus.

Após alguns dias me servindo da ciência para amenizar um problema na região estomacal, pela via de uma medicação que me custou "os olhos da cara", me senti melhor, mas não curado. 

De forma menos agressiva, o problema continuava me incomodando a ponto de não não me permitir um sono razoavelmente bom. Acordava constantemente durante a noite e o incômodo não me deixava em paz.

Apesar do medicamento ser de boa procedência, produzido em laboratório acima de qualquer suspeita, eu não conseguia ter o alívio esperado, após 5 dias de uso ininterrupto de 6 em 6 horas.

Pois bem, não quero estimular ninguém a não se utilizar da ciência para resolver seus problemas de saúde. Ela existe e está a serviço da humanidade. Contudo, a mensagem que quero passar nessas linhas é que o medicamento, seja ele qual for, se não for ministrado em sintonia com essa energia da qual somos naturalmente dotados (eu a classifico de FÉ) não teremos o resultado que esperamos. Ou, se tivermos, significou que o problema não era tão grave.

Nesses dias angustiantes pude mais uma vez experimentar o poder da fé e espero que depois de tudo o que eu disse anteriormente, o leitor tenha compreendido que não falo de religião, mas de fé, algo que todos somos dotados, mesmo que ainda não saibamos disso.

Ao me sentir fraco, indefeso e não tendo o medicamento a eficácia que imaginei, decidi pedir a Deus que enviasse um de seus anjos e pusesse a mão sobre o meu estômago. Fiz uma oração, conversei com Deus.

Imediatamente após essa minha oração, essa conversa com Deus, a minha filha entra no quarto - agitada como é de sua personalidade e de sua condição de pré adolescente - procurando algo que lhe pertencia. 

Sem vacilar, imediatamente pedi que ela me desse um abraço, pois eu estava necessitando e que pusesse a mão sobre o meu estômago. Sem entender, ela atendeu o meu pedido, e voltou ao que estava fazendo no seu quarto, após encontrar o objeto que procurava.

Não posso, evidentemente, obrigar ninguém a acreditar no meu relato embora considero uma pena que esse tipo de acontecimento requeira uma prova objetiva. Passei a melhor noite de todos os outros dias anteriores e acredito que estou curado do mal que me afligia. 

O remédio, vou continuar tomando até terminar as cápsulas, já que se trata de um tratamento e a ciência não deve ser negligenciada, mas a certeza de que para todo mal há cura, ficou ainda mais consolidada em minha mente e no coração e, inclusive, está além da ciência.

Por isto, agradeço ao Senhor, o criador do céu e da terra, por me permitir através da escrita, testemunhar o quanto podemos ser abençoados na medida em que o amor é o único sentimento capaz de realmente mudar tudo o que precisa ser mudado.


Carlos Quartezani