segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Pensar é existir

A Autodeterminação dos Povos, um dos princípios de nossa Constituição e que a enaltece enquanto o "documento da dignidade", me trouxe algumas reflexões e que acredito serem parte desse processo da relação do indivíduo com o Direito que vai além da letra.

Como não ficar perplexo com a notícia de que um prisioneiro iraniano foi condenado à morte - pasmem! - NA FORCA e em praça pública, por participar de atos contrários ao sistema dominante no país e que resultou na morte de dois seguranças do governo?

Como um país consegue encarar o outro, naturalmente, com base na Autodeterminação dos Povos e ignorar que o caminho da democracia, embora cheio de defeitos, é muito superior ao do autoritarismo que não dá chance de observar o aspecto humanitário? 

Pensar, logo, é existir e quando se tolhe o pensar, é o mesmo que fazer as pessoas deixarem de existir.

Carlos Quartezani

sábado, 26 de novembro de 2022

A filosofia vai salvar o mundo

Quem ainda pode duvidar de que os maiores dilemas que estamos vivendo, nesses tempos, tem a ver com a ética? As explicações estão na ciência que dedicada ao ser humano, procura interpretar e sugerir as soluções. Estou me referindo a tudo que diz respeito ao abstrato, ou seja, à filosofia.

Se uma pandemia não foi suficiente para um despertar acerca do que é voltado para a ética, temos na outra ponta, infelizmente, o ódio, esse sentimento tão disciplinadamente disseminado na nossa sociedade, sob o manto da "justiça" mas que é tão somente "vingança", cujo resultado só tem gerado mais tristeza aos corações humanos.

Os argumentos do ódio são sempre muito fortes. 

"Você diz isso porque não foi com um parente ou amigo seu!" Brada o porta-voz do senso comum, lacrando quando você se atreve a propor apenas uma reflexão sobre as razões que levam o outro ser humano, a ter uma opinião diferente da sua. 

O sucesso popular ao lacrar faz o lacrador se sentir o próprio Rui Barbosa... 

O ódio não tem paciência, não é do seu feitio tal comportamento.

Quando faço referência à filosofia no presente texto, meu intuito é destacar a necessidade preemente que as pessoas tem de reconhecer a importância do abstrato para lidar com os fatos de modo menos traumático possível.

Será que se eu parasse alguns segundos para tentar compreender o ponto de vista de quem pensa diferente de mim, não seria mais produtivo até mesmo ao discordar? 

Ao discordar da opinião de alguém e apresentar as minhas razões, eu estou dizendo a esta pessoa que eu a respeito, embora tenha um outro ponto de vista sobre aquele tema.

O poder de se comunicar foi ampliado rapidamente e não se pode ignorar esse fato, bem como, não se pode ignorar que muitas pessoas não estão preparadas para publicarem o que pensam pois não estão propensas a serem confrontadas, mesmo que educadamente.

O que as pessoas dizem ou escrevem ganham uma dimensão que era inimaginável no século passado. A "fofoca" não passava da esquina. Porém, hoje, reputações estão sendo destruídas, por falta de um exercício simples mas em desuso: Colocar-se no lugar do outro e avaliar se passar uma informação para frente sobre este, vai faze-lo se sentir um ser humano melhor ou não.

Etimologicamente a palavra Filosofia significa "amigo do sabedoria" e esta precisa ser resgatada enquanto a ciência que fundamenta a boa convivência humana.

Espero que tenha filosofado o suficiente para que os amigos e amigas que me lêem, considerem importante a reflexão e busque cada um a seu modo, lutar por um mundo melhor. Estamos precisando!

Carlos Quartezani 26/11/22

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Para fazer parte do jogo, tem que aceitar as regras

O assunto que me chamou a atenção neste início de semana foi a repercussão da notícia a respeito da proibição da venda de cerveja dentro e fora do Estádio, onde se realizarão os jogos da Copa do Mundo 2022, no Catar.

Não se pode negar que cada país é livre para proteger seu território, ter seu próprio idioma, criar suas próprias políticas e a sua cultura, enfim estão no seu pleno direito de fazer valer as suas regras de convivência social.

Porém, o que me chamou a atenção e para mim não ficou claro é "por que não anunciaram a proibição antes das pessoas adquirirem os ingressos, comprarem passagens e viajarem para o Catar?"

Acho que tem muita gente que poderia mudar de ideia e fazer um outro programa onde pudesse passar as férias, relaxando, curtindo o passeio e isto inclui, consumir a bebida que quiser, afinal, pagou, está de férias e não foi a uma ópera, foi a um jogo de futebol. Quem conhece o assunto sabe da relação que há entre o futebol e a cerveja.

Se o importante país árabe, o Catar, conhecia o universo do qual desejou participar - e conseguiu - o futebol mundial, deveria preparar-se para as "regras do jogo" que incluem um protagonista que não está em campo mas sem o qual, não haveria razão para o jogo: O Torcedor!

Não creio que as manifestações até agora serão suficientes para que revertam a decisão de não permitirem a cerveja nos Estádios e nem no seu entorno, no Catar, mas é certo que na próxima Copa a FIFA irá observar também esse detalhe e poderá decidir por uma Nação-Sede, cuja cultura esteja pelo menos disposta a algumas exceções em seus costumes, em homenagem às visitas que chegaram e permitiram que boa parte do mundo passasse a conhecer o país anfitrião.

Carlos Quartezani

domingo, 13 de novembro de 2022

Novo governo, velhos problemas

É preciso não perder de vista que a esquerda não ganhou a eleição sozinha, foi preciso o apoio de forças do equilíbrio no pensamento político, para convencer parcela importante da população no segundo turno das eleições presidenciais. 

Se o novo governo quer pacificação não pode ter iniciativas que visem apenas o atendimento da população que votou, mas em certa medida de quem não votou também, que diga-se de passagem, não é pouca gente.

Quanto ao choro, continua sendo livre e é preciso tolerar esses que não querem aceitar o resultado pois, certamente, é uma minoria. 

A maioria das pessoas, geralmente tem coisa mais importante para fazer do que ficar esperneando nas redes sociais.

Carlos Quartezani

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

A força estranha

É sempre motivo de muita tristeza a partida das pessoas, especialmente aquelas por quem temos laços familiares ou de amizade. Por mais que saibamos da finitude da vida, nunca estamos preparados para perder alguém querido. Não importa a idade. A expectativa é sempre de que aquela pessoa estará sempre ali, para que possamos visitá-la para conversar, celebrar ou até mesmo, chorar junto.

Mas e quando esse "alguém" não é da família ou amigo mas cuja obra faz com que sua identidade com ela seja algo muito próximo do amor, que é a admiração? 

Pois é, isto também é real e quando acontece deixa um vazio difícil de preencher, especialmente quando essa "obra" encantou milhões por muitos anos...

Para quem ainda não alcançou onde quero chegar com essas palavras, me refiro aos artistas que nos deixaram: Gal Costa e Rolando Boldrin. Artistas que fizeram parte da geração que me antecedeu mas que encantou também a minha geração. 

Somos privilegiados por ser do país desses artistas e recebermos influência musical e poética sem perder em nada para outros países mundo afora que cultuam seus artistas, em alguns casos, não tão talentosos quanto os nossos.

Eu espero que a partida desses artistas seja também um estímulo para que surjam novos, que ocupem os seus lugares com a mesma sensibilidade e grandeza de alma. 

Que o Brasil e o mundo não perca a capacidade de se emocionar com a poesia, a arte em geral e que de onde veio esses grandes mestres da arte que hoje nos deixa, surjam sucessores que possam emocionar a nova geração e as vindouras, não permitindo que os sentimentos menores tão comuns nesses tempos, sejam capazes de superar a excelência da arte e do artista.

Obrigado por tudo, Gal e Rolando Boldrin!

Carlos Quartezani

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

O que importa é seguir em frente

Escolher quem vai se responsabilizar pelo país nos próximos 4 anos, a partir de 01/01/2023, não é o principal desafio do eleitor. Este passo é relativamente fácil, tendo em vista que a estrutura da República está muito bem preparada para esse processo. 

O que realmente é mais difícil e pode trazer muito prejuízo para a Nação, caso não ocorra a aceitação do resultado, é o palanque continuar armado (ficou comum no Brasil de 2014 para cá) e continuarmos confundindo participação democrática nos embates políticos com "cabo de guerra", impedindo assim que a República avance e, no mínimo, dificultando o nosso desenvolvimento que traz consigo trabalho e dignidade para todos.

Ainda faltam 16 dias para o dia das eleições. Eu gostaria que fosse já, amanhã de preferência! Mas como não é possível apressar os dias para essa importante decisão, o que nos cabe é refletir e fazer uma escolha que atenda aos nossos valores e princípios e, se a maioria da população não fizer a mesma escolha que nós, que tenhamos paciência e resiliência pois em política, você nunca perde e nem ganha. Apenas prevalece a vontade da maioria.

No caso de derrota, tão somente o que acontece é que aquilo que você defende, naquelas circunstâncias, não foi o que a maioria entendeu ser o melhor para a coletividade. Portanto, haverá sempre uma próxima oportunidade para você voltar a defender o que acha ser o mais acertado fazer e, novamente, torcer para que o maior número de pessoas possam pensar do mesmo modo.

E a vida segue. Sem ressentimentos e não cultivando nada que nos impeçam de alcançar nossos ideais, nossos projetos e demais objetivos, que é o que mais importa.

São Mateus-ES, 16/09/2022

Carlos Quartezani

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

O filho do poeta

Me enchi de orgulho ao tomar conhecimento de que a minha terra revelou um grande talento do atletismo brasileiro. 

O filho do poeta e ex-vereador Adilson Conceição, Ângelo Miguel, brilhou num campeonato nacional que reúne estudantes atletas do país inteiro. O evento aconteceu na Capital do Estado do Sergipe, Aracajú.

O "filho do poeta" voou na modalidade 100 metros rasos, perfazendo o percurso em 11 segundos e 19 centésimos!

A competição, que acontece entre os dias 3 e 5 de setembro, antecede outro grande evento de grande porte que acontecerá no Estado de São Paulo.Trata-se do Campeonato Sul-americano Sub-18, ao qual o nosso atleta Barrense já está convocado.

Um grande exemplo de comprometimento, garra e muita objetividade, é o que se pode extrair desse rapaz de Itaúnas (Conceição da Barra-ES) que no lugar de olhar circunstâncias, preferiu olhar para as possibilidades e encontrou um brilhante futuro no esporte.

Meus parabéns ao Ângelo Miguel e seus pais, que certamente têm uma importante participação na sua conquista!

São Mateus-ES, 05/09/2022

Carlos Quartezani