quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Pocar: Sem apoio da Prefeitura, Companhia Estandarte realiza 4a edição

O Festival de Cultura "Pocar" de Conceição da Barra vai acontecer em 2016 e mais uma vez, apesar de nenhum incentivo proporcionado pela Prefeitura, a Cia Estandarte, que tem no artista barrense Didito Camilo um de seus criadores, proporcionará aos visitantes e barrenses, espetáculos que pretendem despertar o público para a apreciação da arte e a valorização de artistas, inclusive locais, estimulando a comunidade a perceber outros caminhos que se pode tomar em termos de exploração do turismo numa das cidades mais encantadoras de nosso Estado.

Conheça a programação abaixo e se agende para participar desse momento ímpar em Conceição da Barra e que já se pode classificar de tradição, uma vez que sua realização independe do patrocínio local, mas de empresas, pessoas e o Governo Estadual que, cada um ao seu modo, colaboraram para permitir sua realização pela quarta vez em Conceição da Barra.

Participe, você e toda sua família são nossos convidados para viver esses momentos que tudo tem a ver com família, entretenimento e cultura!



PROGRAMAÇÃO POCAR FESTIVAL DE CULTURA 2016




QUARTA –FEIRA- 27/01

Praça da Matriz à Beira do Cais

20h“Festejo da Chegança”
- “Cortejo Arruaça”, da Estandarte Cia. de Teatro
- “Jongo de São Cosme e Damião”
- Dança Afro Brasileira “Muito Obrigado Axé”, coreografia Eduardo Gomes
- Thales Lima-  Michael Jackson Cover
- Artistas e Convidados do Pocar

Beira do Cais

20h:30- ABERTURA OFICIAL
- Intervenção com “Mágico Confusão”

21h – Show “Silvia Gommes”


QUINTA-FEIRA – 28/01

Vila de Itaúnas- Adro da Igreja de São Sebastião
18h- Espetáculo “Circo da Roça”, com Circo Miudinho

Vila de Itaúnas- Café Brasil
19h- Espetáculo “Pocket Show” Teatro de Marionete Navegante - Argentina /Brasil


Bar da KatiCris/ Bairro Cohab II

Intervenção “Mariri e KiriKerê Contam a Batalha do Cricaré”, Cia. Matula Andante


20h – Espetáculo ”Amor por Anexins”, Cia. de Teatro Martelo de Thor
21h – Show Irene Dias e banda
22h:30 - Show “Cássia Silva”





SEXTA-FEIRA – 29/01

Feira da Praça São Pedro
9h -“Literatura a Quilo” – com Saulo Ribeiro e Editora Cousa
9h:15 -  Intervenções “Cordeis”
9h:30 - Ajuntamento de Sanfona , Viola e Pandeiro,

Auditório da Escola João Bastos Bernardo Vieira
14h - Encontro da Teia da Memória Capixaba
Parceria: SECULT -ES

Adro da Igreja N. S. da Conceição
19h – Espetáculo “Os Descadeirado”,  Cia. El Individuo (Argentina)


Restaurante do Pintinho

21h - Espetáculo "El Demonio de la Baraja", Ewerton Martins
21h:30- Show “Banda Plano Alto”
23h - Show “Trio Fogumano” participação “Jeferson Leite”

SÁBADO – 30/01


Praia da Barra [Ao lado do Hotel Praia da Barra)
11h - Espetáculo “Circo da Roça”, com Circo Miudinho

Comunidade Quilombola do Linharinho
14h – “Vivência na Casa de Farinha”
16:30 – Espetáculo “Mentiras Que Contam Verdade” com Rosana Montalverne - Instituto Cultural Aletria


Adro da Igreja de N. S. da Conceição
18h –“Amores e Dores no País das Flores”, com Grupo Residência

Delícias da Mãinha [em frente ao Hotel Cricaré]
19:00- “Prosa Literária no Cantinho da Leitura”

Espetáculo “O Bom Lobo Mau”, Cia. de Teatro Popular Encenação
- Lançamento do Livro “Lira Oito de Dezembro: O Despertar de Uma Alvorada”, de Rubia Vasconcellos Bastos Caldeira
- Rosana Mont’Alverne
- Josmari Araujo
- Marcelino Xibil Ramos
- Salomão da Silva Pinto

Intervenção “Mariri e KiriKerê Contam a Batalha do Cricaré”, Cia. Matula Andante

Show “Cássia Silva”


Beira do Cais

21h – Show “Sacalagua” (Argentina)
22h30 - Show “Silvia Gommes”


DOMINGO – 31/01

Praia da Barra [Ao Lado da Cabana Kaique]
11h - Espetáculo “Bambulino: Enverga, mas Não Quebra”, Cia. Circunstância


Beira do Cais

16h - Espetáculo “Pocket Show” Teatro de Marionete Navegante- Argentina /Brasil - Restaurante Casarão
Retirar senhas uma hora antes
17h - Espetáculo “Griô: Tambores, Princesas e Baobás” Cia. 2 x 2
18h - Espetáculo “Futebol na Perna de Pau”, Estandarte Cia. de Teatro
19h – Festa de Encerramento
Ajuntamento Santo de Casa
- Toninho Xoxola e Fabíola
- Fred Moreno
- Zé Neto

- Artistas Convidados


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Título de Cidadão

Neste sábado, 12 de dezembro, a Câmara de Vereadores de Conceição da Barra realizou uma sessão solene que celebrou o dia da Padroeira do Município (Nossa Senhora da Conceição) cuja data legítima é o dia 8 de dezembro, e a cerimônia de entrega de Títulos de Cidadão Barrense para algumas personalidades. O evento aconteceu no plenário Humberto de Oliveira Serra, às 10h,  na sede do município, e contou com a presença de poucas autoridades locais, além dos vereadores propositores da homenagem.

Embora tenham recebido críticas, em especial por parte de nomes indicados que não residem no município, os vereadores foram felizes nas escolhas no âmbito geral. Contemplaram um jardineiro, uma professora, um advogado, um pastor evangélico, dois médicos (um, entre eles, o ex-prefeito Nélio Ribeiro Nogueira), um bancário, um desportista, além do deputado estadual Josias da Vitória e o ex-deputado e atual Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Paulo Roberto Ferreira. Todos, sem dúvida, cada um a seu modo, contribuíram com o município com ações relevantes e este sendo o critério fundamental para receber a honraria.

Evidentemente que há muitos outros no município que também preenchem tais requisitos, no entanto, são poucos os momentos dedicados a este tipo de cerimônia no Poder Legislativo barrense. Mesmo sendo um dos papéis mais relevantes conferidos ao Vereador, a concessão do Título acontece raramente, e quando acontece, ocorre o desgaste do parlamentar que ao não contemplar todos que merecem, é alvo da bronca de muitos. Mas são ossos do ofício e quem está na chuva, é para se molhar.

Em que pese a importância da cerimônia avaliei como muito positiva e sua realização resgatou um papel que é próprio do Legislativo, mas que anda em desuso face, talvez, ao desinteresse da população pela política e tudo o que se relaciona a ela. 

A desvalorização de momentos como este por parte da sociedade, pode ser justificada pela revolta com os escândalos políticos que ocupam as manchetes dos jornais, manchando esse segmento em toda parte, porém, não há como justificar a ausência de autoridades constituídas, afinal, os três poderes compõem o estado e estes devem ser harmônicos, apesar de independentes.

Ao acompanhar textos nas redes sociais a respeito do evento, registrei elogios e críticas e pude perceber que até quando os vereadores fazem o que é de sua prerrogativa, por exemplo, conceder títulos de cidadão, não encontram nos outros poderes a devida reciprocidade. A ausência do prefeito municipal, secretários municipais, além de componentes do Poder Judiciário e o Ministério Público, revelam o quanto estamos distante de uma relação verdadeiramente republicana e que tanto tem feito falta, sobretudo para crianças e jovens, que por falta de exemplo, sequer sabem se portar adequadamente diante da execução do hino nacional. A cidadania e o valor do civismo estão sendo minados na raíz!

No mais, meus parabéns ao homenageados e à Câmara Municipal que apesar da estrutura física inadequada, um prédio alugado que lembra uma garagem, fez o seu papel e concedeu a quem de direito a honra de ser barrense.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sem sociedade civil, não tem Conselho Municipal

Afinal, para que serve um Conselho Municipal? Essa pergunta é feita muitas vezes sobretudo por quem ainda não teve a oportunidade de participar de um deles. Contudo, nem sempre é possível diagnosticar com precisão os motivos pelos quais as pessoas não compreendem sua função. Nas próximas linhas me atreverei a tentar fazê-lo.

Os Conselhos Municipais foi uma conquista popular emanada da Constituinte de 1988 que assegurou aos cidadãos o direito de participar dos governos, municipal, estadual ou federal, organizando-se em Conselhos específicos. Alguns são obrigatórios e tem caráter "deliberativo", que significa ter o poder de estabelecer as políticas públicas para aquele setor. Por exemplo, o Conselho Municipal de Saúde. Outros são "consultivos" que embora não tenha a função de determinar as políticas, sugerem ao Governo sobre qual caminho deve trilhar. Como exemplo temos o Conselho Municipal do Turismo, cuja relevância é inquestionável para uma cidade turística, embora seu caráter seja consultivo.

Entretanto e apesar do direito expresso na Carta Constitucional acerca da participação popular nas decisões governamentais via Conselhos, na prática está longe de ser o que se pretendeu o legislador, pelo menos em nosso município. Além do distanciamento que a sociedade tem acerca dos mesmos, fruto de um ambiente cuja marca é o autoritarismo, para se formar um Conselho é preciso que seja tripartite, ou seja, deve contemplar Governo, prestadores de serviços e sociedade civil. No que se refere à sociedade civil, hoje em Conceição da Barra é quase impossível ver representada e em seguida, explico os motivos.

Ocorre que para se ter participação nos Conselhos a sociedade civil deve estar representada por Instituições tais como Associações, Sindicatos, ONG's e outras devidamente regulares com suas diretorias estabelecidas e as documentações pertinentes em dia. Mas essa não é a realidade. Como disse antes, as pessoas estão distantes do processo democrático e por conta disso, não se organizam, não se interessam em participar e legitimar associações, dificultando sua participação nas decisões governamentais. Se não houver organização da sociedade civil, não há possibilidade de fazer parte dos Conselhos.

Isto posto, quero convidar a quem me deu o privilégio de ler esse breve texto que pense a respeito e busque meios e modos de envolver sua comunidade em algum tipo de organização da sociedade civil, para quando lançarem os editais de convocação para a formação dos Conselhos Municipais, colocarem-se à disposição pois sem sociedade civil, não tem Conselho e em alguns casos,sem a existência destes, não tem verba federal para o Município.

Querem um exemplo? O Conselho Municipal de Saúde está com seu prazo vencido (02/10/15) e até o presente momento, não houve interesse da sociedade civil suficiente para sua nova composição e este Conselho, especificamente, é deliberativo!





sexta-feira, 18 de setembro de 2015

STF extingue doação empresarial para campanhas políticas

Ontem, dia 17 de setembro de 2015, o Supremo Tribunal Federal tomou uma das decisões mais importantes para a vida política no Brasil. Por oito votos a três, os Ministros decidiram que constitucionalmente é proibido às empresas investirem em candidatos ou em partidos políticos nas eleições no País. A medida contrariou a Câmara dos Deputados que apesar de ter recebido do Senado um texto que proibia esse tipo de financiamento, a alteraram, permitindo que as empresas financiassem as campanhas eleitorais desde que os recursos fossem diretamente para os Partidos.

Não há argumento que possa superar a lógica. É evidente que numa campanha política, em que um tem dinheiro doado por uma empresa e o outro apenas seus próprios recursos, ou de algum eleitor (pessoa física) que legalmente decidiu colaborar com sua campanha, a batalha se torne injusta e o princípio basilar da democracia é deteriorado na medida em que o poder financeiro deturpa consciências, fazendo prevalecer a máxima do "se me der alguma coisa, eu voto".

Particularmente, lamento que essa decisão tenha sido tomada pelo STF, ao invés da Casa de Leis brasileira. O nosso Congresso não teve coragem de votar em algo que estabelece uma mudança real na política, preferindo votar pontos de pouca ou nenhuma relevância. No caso específico da proibição do financiamento empresarial de campanhas - caso você que está lendo esse texto não tenha percebido a importância - trata-se por exemplo, de complicar bastante para um candidato que declarou poucos recursos em sua prestação de contas e todos o viram nas ruas, caminhando com duzentos, trezentos cabos eleitorais... de onde saiu o dinheiro para pagar tanta gente? Questionará o Juiz do TRE ao analisar as contas do candidato.

Tenho utilizado as redes sociais para falar a este respeito e em relação a outros pontos na política de nosso país, estado e o município. Acho que houve e haverá muitos avanços, sobretudo se as pessoas começarem a entender que a sua efetiva participação é que proporcionam as mudanças que estamos vendo em nosso País. 

Embora possa parecer caótico o momento em que estamos vivendo, mas nunca houve um ambiente tão propício para mudanças e para melhor. O Brasil vai superar esse momento crítico pela via democrática, com as Instituições funcionando e fazendo o papel para as quais foram criadas, através de nossa brilhante Constituição, uma das mais elogiadas do Mundo!

Chega de financiamento empresarial. Quem quiser se eleger, compre um par de tênis e vá luta e conquiste o voto. Avante Brasil!


sábado, 5 de setembro de 2015

O simplismo do "bem contra o mal"

Resolvi utilizar este espaço, o qual considero melhor para conversar com as pessoas que gostam de ler, para fazer algumas considerações a respeito do momento que vivemos, na economia e na política, para (quem sabe?), oferecer uma outra visão que não seja maniqueísta em relação, sobretudo, à política.

O estranho mas compreensível método utilizado tanto pela oposição quanto pelo Partido que está na situação - para travar a luta política - concentra-se no "bem contra o mal". Um prega que o "bem" está no seu modo de pensar e o outro, garante a mesma coisa. Contudo, até o momento, o que pude observar é que somos vítimas de um processo político "demonizado" onde não se discute solução alguma para os problemas, mas apenas os culpados.

Entendo que a população de modo geral não suporta a corrupção e ela (a corrupção) é a maior responsável pela crise política à qual estamos submetidos. Entretanto, é muito difícil para mim compreender que para resolver essa endemia chamada "corrupção" e que infelizmente não está circunscrita à classe política, seja necessário parar um País inteiro, como estamos vendo acontecer.

Por conta dos escândalos que emergiram com a operação Laja-jato, as empresas cujos diretores e outras pessoas importantes supostamente estão envolvidas, deixaram de funcionar e com as demissões, outros setores da economia também sentiram o baque, na medida em que essas paralisações vieram acompanhadas do chamado "ajuste fiscal" do Governo, promovendo uma série de desdobramentos que abateu, sem dúvida, o consumo das famílias brasileiras. Resultado: Recessão.

Não sou economista. Sou político, apesar de não ter um mandato. Mas penso que se o Governo voltasse sua atenção para o que dizem os políticos, sobretudo aqueles que exercem essa prática em sua essência, encontraríamos soluções menos simplistas e cruéis. Respeito muito o trabalho dos técnicos, mas uma planilha bem feita sem considerar aspectos sociais, são apenas números e não correspondem necessariamente ao que desejamos enquanto povo, de onde inclusive se origina o Poder. 

Quanto aos efeitos da operação Lava-Jato penso que é correto punir quem errou, mas a empresa não pode ser punida, pois temos um Brasil para construir e o combate à corrupção não pode resultar em paralisação desse enorme País, por conta de uma meia dúzia de larápios.

Responsabilizar um ou outro Partido por essas mazelas, penso não ser integralmente correto. Muito menos aplicar o adjetivo de "burro" ou outro ainda mais pejorativo a alguém apenas por ser filiado a um Partido Político e defender sua bandeiras. As instituições partidárias existem para o exercício da democracia. Se temos uma população que após 30 anos de redemocratização esqueceu para o que verdadeiramente elas servem, é hora de todos nós fazermos uma profunda reflexão e nada como um momento de crise para praticá-la.



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

De neutrox a demissões na Disa

No que depender de apoio político local o prefeito de Conceição da Barra está "mais ou menos enrolado", só para usar uma expressão bem popular. A sessão itinerante realizada hoje, dia 20 de Agosto de 2015, no bairro Santo Amaro, na Escola Astrogildo Carneiro Setúbal, revelou o quão complicada é a situação do prefeito que tem 6 Vereadores (portanto a maioria dos 11) contrários à sua maneira de gerir o município.

A "pancadaria" foi iniciada com a Vereadora Istelina Fundão que discorreu sobre uma série de falhas no sistema de saúde, classificando-as de "desmandos na Saúde" e finalizou distribuindo uma "cartinha" escrita pelo prefeito em 2008, então sócio majoritário da empresa Disa, na qual anunciava a toda população o alvissareiro negócio que fizera vendendo-a para o grupo Infinyt Bionergy e que traria benefícios para toda a cidade e região. "O resultado, bem, o resultado pode se verificar hoje com a falência da Disa e a demissão de mais de mil funcionários", disse a Vereadora.

O Vereador Hermes, sempre pouco falante mas muito perspicaz em suas observações, também usou a tribuna da Casa e fez suas considerações em relação à gestão e o quanto o povo está sofrendo com o atual modelo. Autor do pedido para que a sessão itinerante fosse realizada no Bairro Santo Amaro, Hermes também protocolou indicações para a construção de um Posto de Saúde no Bairro (demanda legítima pois é um dos maiores bairros do município) e para que a empresa Viação Mar Aberto volte a circular no bairro.

Mas o que chamou a atenção de todos os presentes mesmo foi as revelações trazidas pelo Vereador Carlos Rosário, concernentes às licitações promovidas pela Prefeitura Municipal, especificamente a Secretaria de Ação Social. Segundo o Vereador, vários itens foram comprados pela municipalidade e cuja utilidade é de total desconhecimento por parte dele ou de qualquer outro cidadão que tome conhecimento do mesmo. A compra de facas, colheres, shampoo neutrox, carrinhos de bebê e outros, perfazendo valores estratosféricos (conforme disse o parlamentar) estão longe da realidade municipal. 

"Ser Vereador não é difícil não. Nosso papel é legislar e fiscalizar sem medo e é isto o que estamos fazemos quando trazemos esse tipo de informação para vocês", disse Carlos Rosário.

Carlos Rosário exibiu para quem quisesse ver as listas de compras disponibilizadas no site da Prefeitura e os valores envolvendo tais compras. "Até caixa de fósforos! Foram gastos mil e duzentos reais com fósforos", vociferou o parlamentar.

A Vereadora Nêga também não deixou por menos e fez uso da tribuna denunciando entre outras coisas, o que chamou de "absurdo" que é o funcionamento da máquina de raio X do hospital, apenas de segunda a quinta-feira. "Se você quebrar algum osso entre sexta e domingo, você estará em sérios apuros", alertou Nêga criticando entre outras coisas, a "luta" para o resgate do corpo da jovem que morreu afogada na praia, lembrando a todos que "se fosse filha de um rico, até helicóptero teria sido dispensado para o resgate".

A derrota política do prefeito foi sacramentada quando os parlamentares apreciaram um Projeto de Lei enviado pelo Executivo, no qual solicitava a criação de um cargo (Gerente de Projetos) cujos soldos somam R$5.900,00. Apesar do parecer favorável da Comissão Permanente presidida pelo Vereador Rogério Rufino (ausente na sessão) e apresentada pela Vereadora Mirtes, relatora da respectiva Comissão, os 6 parlamentares rejeitaram o projeto e ao se justificarem, explicaram que "a Prefeitura já tem profissionais para este fim e que se o funcionalismo já vem sendo massacrado por contenção de despesas, não justifica criar mais uma despesa", argumento que foi complementado com a colocação do Vereador Carlos Rosário que disse tratar-se provavelmente de "um cargo para empregar um aliado do prefeito demitido da Disa".

Por fim, os edis aprovaram dois requerimentos apresentados pelo ausente Vereador Rogério Rufino, tratando da votação das contas dos ex-prefeitos e do atual, cujos pareceres do TCES se encontram na Casa, bem como, a convocação do Gerente de Defesa Civil do município, Jalmas Greis, para que venha à Câmara explicar o motivo pelo qual as câmeras de video-monitoramento não funcionam em Conceição da Barra, entre outros fatos relacionados à segurança pública.

O Presidente da Câmara, Anderson Kleber da Silva, o Klebinho, pediu para que este que vos escreve informasse aos leitores que vai dar atendimento todas as segundas e sextas-feiras no seu distrito, o Braço do Rio, e aproveitou para explicar que a devolução do veículo da Câmara para a Prefeitura (comprado em 2007 e que só estava gerando gastos para o Poder Legislativo), é um procedimento normal, uma vez que todos os bens públicos são de posse da Prefeitura, portanto, não sendo possível negociá-lo é mais prudente devolvê-lo e se for o caso, alugar um veículo para uso da Câmara de Vereadores.

A recusa em manter uma relação republicana com o Poder Legislativo está trazendo muitas dificuldades para o prefeito municipal. O não atendimento das solicitações e até mesmo as ligações telefônicas dos Vereadores feitas a alguns Secretários, tem sido uma das principais queixas, motivando, em parte, a indignação dos parlamentares que precisam dar retorno ao seu eleitorado sobre obras e outros serviços públicos os quais têm direito.

O fato é que a comunidade do bairro Santo Amaro teve uma noite diferente e viu ou simplesmente ouviu, como funciona o Poder Legislativo, e o quanto o prefeito municipal carece de aproximação, bem como, orientar seu staff a dar as devidas explicações para os vários temas ali tratados e que deixaram todos, todos os presentes, boquiabertos.


domingo, 2 de agosto de 2015

Cacau Monjardim e o Sal-gema na Barra

Poucas coisas me incomodam tanto, quanto o fato de as pessoas brigarem por coisas que não fazem o menor sentido. Na política, que para mim significa muito mais que troca de favores, promessas e tapinha nas costas, está a solução para os verdadeiros problemas que temos em Conceição da Barra, no Brasil e no Mundo. No entanto, poucos parecem se importar com ela, preferindo, quase sempre, apequená-la e discutirem temas que não tem e nunca terão a menor relevância e resultados, sobretudo, para a coletividade.

Há vários anos venho acompanhando a defesa que faz o jornalista Cacau Monjardim, diretor da Fundação Jônice Tristão e criador do slogan "moqueca é capixaba, o resto é peixada", no que diz respeito a mega jazida de sal-gema existente em Conceição da Barra e que por questões políticas (pequenas), nunca saiu do papel. Cacau, embora não seja barrense, mas é um capixaba apaixonado, defende o tema desde sempre, destacando o fato de ser uma riqueza inexplorada e que significaria a geração de cerca de 15 mil empregos aqui e na região. 

O entrave é por conta do estado do Rio Grande do Norte, produtor do mineral no nordeste brasileiro, que alega que uma possível exploração do sal-gema no Espírito Santo, representaria perdas incalculáveis para o povo potiguar, uma vez que diminuiria seu volume de vendas com a nova oferta do mineral no sudeste brasileiro. O Rio Grande do Norte alega que o sudeste é rico e não precisa, porém, esquece-se que o ES não é o Rio de Janeiro ou São Paulo, os verdadeiros "ricos" do sudeste. Mesmo com a proposta de o sal-gema barrense suprir a demanda de países como o Chile, por exemplo, reduzindo assim as possíveis perdas do RN, não houve acordo e o Governo Federal, sob a batuta de Lula e de sua Ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff (à época), atenderam o clamor da então Governadora do RN, Wilma de Faria e suspendeu a licitação que a Petrobrás já havia iniciado, em Conceição da Barra, em meados de 2002.

O nobre jornalista Cacau Monjardim que ao longo de alguns anos, insistentemente, encaminhou ofícios para diversas autoridades, tais como o então Governador do Estado, Paulo Hartung; o Senador Renato Casagrande, o Governador em Exercício, Ricardo Ferraço, o Presidente da FINDES, Lucas Isoton, o Presidente da Câmara de Conceição da Barra, Angelo César Figueiredo e a então secretária municipal de Educação, Adélia Marchiori, entre outras autoridades, tratava do tema como quem acredita que a não exploração do sal-gema na Barra é sobretudo, um absurdo e que em linhas gerais é fruto de uma inabilidade política. As autoridades parecem não entender que o argumento utilizado pelo estado do RN é inconcebível, pois não se pode pagar mais caro por algo, que se pode ter muito mais barato com outro fornecedor.

Cerca de 70% de toda a sal-gema brasileira encontra-se dormindo em berço esplêndido no município de Conceição da Barra, norte do Espírito Santo. Algo em torno de 12,2 bilhões de toneladas, conforme apurou o jornal A Tribuna em matéria veiculada no dia 10/12/2011. Aproximadamente 50 anos de exploração. O mineral de grande utilidade nos setores têxtil, papel e celulose, plástico, na culinária e etc...  significaria uma grande conquista econômica para a Barra e o Espírito Santo, mas enquanto a nossa classe política insistir em discutir o sexo dos anjos e permitir que o argumento de que a exploração, prejudicaria o RN, corremos o risco de nos tornar piada ao optar por não explorar algo que geraria empregos, riqueza e baixo custo para a indústria brasileira.

Tenho todos os artigos escritos por Cacau e outras personalidades capixabas, dentre os quais o Mestre em Economia da UVV, Luis C. Frechiani, tratando do tema e defendendo a exploração do sal-gema na Barra. Quem tiver interesse, pode me procurar que os mostrarei e aí então poderemos retomar essa luta que é principalmente de Conceição da Barra e o seu povo que sofre pela falta de empregos e renda, há muito tempo.