domingo, 7 de fevereiro de 2021

Explode a violência!


As pessoas parecem estar enlouquecendo e ainda bem que temos o contraditório, aqueles que não perderam a capacidade de se indignar e usar seus recursos possíveis para alertar aos outros.

É preciso se indignar, protestar pacificamente em relação a violência, que não só se alastrou, mas tornou-se um expediente normal, justificado, inclusive, pelo conceito equivocado de justiça.

Cidades minúsculas que já viviam uma certa insegurança, passaram a ter furtos, roubos e assaltos como parte da nova rotina. O cidadão, mal orientado, só pensa na possibilidade de obter uma arma "para se defender" e no final, o que teremos, são pessoas já fragilizadas pela realidade presente cometendo crimes, também sob a justificativa de estarem se defendendo. 

A arma que alguns podem comprar, fatalmente será mais um objeto a ser roubado pelo criminoso em sua própria casa. Não me refiro a quem realmente precisa ter uma arma, como é o caso de quem vive na zona rural, afastado dos centros urbanos. A Lei já contempla alguns portes de arma. Mas de quem foi levado a perder a fé no Estado brasileiro e decidiu viver como se aqui fosse o "velho oeste norte-americano".

Com suas armas, as pessoas estão sendo estimuladas a praticar vingança justificando ser justiça. Estão errados, violência só gera mais violência e é essa proposta que está colocada subliminarmente na política de armar as pessoas. Mais violência!

Apesar dos problemas, vivemos num estado democrático de direito, onde os conflitos devem ser resolvidos em suas devidas instâncias. Se não houver justiça, existe o "recurso" e por não termos pena de morte, é muito mais difícil cometer uma injustiça em grande escala. 

O poderoso chefão, Bolsonaro com suas teses absurdas tem parte nessa violência espalhada pelo Brasil e quem não gostou de minhas palavras, sinto muito mas é o que penso e se não enquadrarmos esse louco o mais rápido possível, a vingança substituirá a justiça e aí, qualquer um de nós pode ser a próxima vítima.

Escrevo na expectativa de que minhas palavras encontrem no bom senso o abrigo necessário, a reflexão e ação, urgentes.

Carlos Quartezani

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

O bom e velho MDB


Ontem, o primeiro dia do mês de fevereiro de 2021, assistimos ao Brasil, mais precisamente os Deputados Federais e os Senadores, desperdiçarem a oportunidade de ver as duas Casas do Povo, estarem sob o comando de pessoas que de fato, representam aquele Poder. 

Baleia Rossi, na Câmara dos Deputados e Simone Tebet, no Senado, seriam o contraponto perfeito, sem excessos ou radicalismos, para conter o Presidente em seus delírios. Quanto ao tão propagado impeachment, ambos sabem que este Instituto não necessita ser usado a todo momento. Além de custar caro ao país e especialmente ao MDB. 

Analisar cuidadosamente cada proposta de abertura de processo de impeachment, função que cabe ao Presidente da Câmara dos Deputados, seria um exercício fácil para Baleia Rossi. Foi forjado politicamente no diálogo, é consciente de que a política "não é função hepática, não se faz com o fígado", parafraseando o eterno e saudoso Deputado Ulysses Guimarães.

Motivados também pelas emendas extras liberadas por Bolsonaro, cujo destino serão obras em seus estados e municípios respectivos, os Deputados e Senadores não tiveram dúvidas sobre o que seria melhor e mais lucrativo. Entre escolher os candidatos preferidos do Capitão ou perder ou a oportunidade de "fazer uma graça" com seus eleitores nos respectivos redutos - num ano que antecede as eleições - ficou irresistível para a maioria dos nobres congressistas.

O importante é ganhar. A ideologia e outras condutas consideradas ingênuas (como a fidelidade partidária por exemplo), ficaram no segundo plano, junto com a possibilidade de um debate mais produtivo, focado em ações que nos tirem da crise e nos traga desenvolvimento, empregos e dignidade.  

A harmonia entre os Poderes não pressupõe subserviência entre um e outro, contudo, ao interferir diretamente na escolha das Presidências das duas Casas, o sinal que o Parlamento emite para o país é este: Subserviência.

Perdemos a oportunidade de uma "Câmara Livre", slogan da campanha do Presidente Nacional do MDB, Baleia Rossi, que conseguiu por mérito alcançar 145 votos, ante os 306 de Arthur Lira, o candidato de Bolsonaro. 

Já Simone Tebet, com o peso de ter sido preterida por colegas do próprio MDB, conduta que dificilmente considerarei como legítima, conquistou 21 votos, sendo derrotada por seu colega mineiro, Rodrigo Pacheco, o outro candidato de Bolsonaro. 

Os debates das reformas por exemplo, ficarão a mercê do Executivo, uma vez que tem o crédito de ter elegido o comando das duas Casas. A pauta sempre terá como prioridade as demandas que o Poder Executivo estabelecer e não o Parlamento. Espero ser surpreendido neste sentido, porém, duvido.

Definitivamente, o Parlamento perdeu a oportunidade do protagonismo, pois preferiram sucumbir a tentação de estar fazendo o mais do mesmo - prática que muitos condenaram antes de serem eleitos - no lugar de terem o reconhecimento no futuro, de terem feito o que é certo e não o que era mais lucrativo, do ponto de vista eleitoral.

Baleia e Simone não carregarão essa marca. Optaram pela dignidade, a disputa na moral, no debate, em todo o processo.

Me orgulho de fazer parte do novo MDB. O MDB de Baleia Rossi e Simone Tebet. E espero que de hoje em diante, parte do povo brasileiro que porventura associou o partido de Ulysses Guimarães a cargos, pesquisem sobre o que foi a campanha para as Presidências do Senado e da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2021. Constatará que o MDB está vivo, com a chama acesa e nas pessoas de Baleia Rossi e Simone Tebet, foi grandiosamente representado num processo de muita traição e conluios, mas também de demonstrações da grande força que tem a militância do Movimento Democrático Brasileiro.

Viva o MDB!!!


Carlos Quartezani

Presidente do MDB/Conceição da Barra-ES

domingo, 31 de janeiro de 2021

O Auxílio Emergencial e a eleição no Congresso Nacional

O Auxílio Emergencial manteve Bolsonaro em "lua de mel" com um enorme contingente populacional que não vincula o benefício a um direito, mas à vontade do Presidente. 

Embora o Congresso tenha sido o verdadeiro artífice do "auxílio" (o Planalto queria oferecer 200 reais), os louros foram para Bolsonaro. Agora é diferente. Se os candidatos de Bolsonaro vencerem no Senado e na Câmara, adeus Auxílio Emergencial.

Peça ao Deputado do seu Estado para votar em Baleia Rossi para a Presidência da Câmara e Simone Tebet para a Presidência do Senado Federal e fortaleça a possibilidade de continuar a ter ajuda financeira do Estado para enfrentar a pandemia, enquanto não se tem vacina para todos.

Carlos Quartezani

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Somos todos poetas

A poesia esteve e estará sempre presente, enquanto houver seres humanos sobre a Terra. Não se trata de algo que se aprende por vias metodológicas, com técnicas apuradas e anos e mais anos de dedicação, mas da sensibilidade que permeia a alma humana, ingrediente essencial para a poesia.

Uns permitem aflorá-la abundantemente, daí surgem letras, músicas, pinturas, passos de dança, livros, esculturas, etc... Outros, em menor intensidade, fazem-na conhecê-la por gestos, atitudes e outros sinais que revelam que por mais rude que um ser humano possa parecer, ou quão difícil seja a circunstância, a poesia emergirá de onde menos se espera, como um bálsamo, aliviando e gerando esperança por dias melhores.

O momento vivido hoje por toda humanidade há de despertar com muito mais vigor esse valor humano cujo preço não há moeda capaz de comprar. A poesia é gratuita e sempre será. Basta observar o que comumente não observaríamos caso tudo estivesse perfeitamente normal.


Carlos Quartezani

Blogueiro


"Tenho sangrado demais, tenho chorado prá cachorro, ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro". (Belchior)

domingo, 3 de janeiro de 2021

Alcon, exemplo e orgulho capixaba

A usina de álcool, açúcar e mais recentemente de energia de Conceição da Barra, a Alcon, é um grande empreendimento e motivo de orgulho, não apenas para o povo barrense, mas para o pequenino e surpreendente Estado do Espírito Santo. Localizada às margens da BR 101 norte, a empresa pode ser vista por todos que necessitam trafegar na rodovia, seja a trabalho ou passeio. Cresceu muito e as chaminés de suas caldeiras, podem ser vistas a longa distância.

Sua história, que remonta décadas, certamente deverá ser registrada em livro, a partir do momento em que o seu fundador, Nerzy Dalla Bernardina, entender ser o momento e revelar a todos o seu segredo, embora, todos já saibamos: Trabalho!

No ano de 2020, talvez o mais desafiante de toda a história para o Brasil e o Mundo, a Alcon foi considerada a indústria número 1 do Estado, segundo os critérios da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo, a FINDES. Não é pouca coisa para um empreendimento familiar e que se mantém no mercado há tanto tempo, enfrentando intempéries das mais variadas e imagináveis, sem perder seu norte, seus princípios e sua razão de existir. 

Hoje, com mais de 2.000 empregos diretos e outros tantos indiretos, a Alcon se tornou a responsável por cerca de 60% dos impostos do município de Conceição da Barra-ES, o que significa dizer que a sua presença funciona como se fosse a espinha dorsal de um lugar cuja economia, um dia, foi a Pesca e o Turismo. Hoje, não mais.

Como todo grande empreendimento, sofre críticas mas muitas dessas críticas não correspondem ao que de fato definem a empresa para o município e sua população. 

A monocultura da cana-de-açúcar, por exemplo, está longe de ser o mal propagado por alguns, principalmente se comparado à gigantesca área ocupada por eucalipto. Este sim, ocupante de mais de dois terços do território agricultável.

Se formos considerar o território que é ocupado por cana e o que tem de eucalipto plantado, sem sombra de dúvidas o primeiro ocupa infinitamente menos e gera muito mais emprego, renda e esperança, tanto para o povo barrense, quanto para os vizinhos. Sim, o eucalipto é importante, mas não mais que a cana. Não para nós, povo barrense.

Quem me acompanha pelas redes sociais e se atenta ao que escrevo, sabe que o meu maior e mais sincero interesse é que o município de Conceição da Barra, minha terra querida, supere os desafios e volte a ser um lugar de oportunidades, de vida digna, onde as pessoas possam criar os filhos e mantê-los, sem a necessidade de mudar-se para outra cidade, quando crescem.

No entanto, para que isto aconteça precisamos buscar nos bons exemplos, nas experiências que deram certo, o estímulo e reproduzi-las em todos os outros setores da sociedade, seja no público ou no privado.

É preciso estar atento a tudo o que acontece e procurar reconhecer no sucesso alheio, a maneira certa de agir. As pessoas e empresas que geram emprego, renda e consequentemente dignidade, devem ser reconhecidas e agindo assim, facilitaremos a criação de um ambiente de unidade, em que nossa opinião tenha peso, relevância, diante das eventuais decisões políticas que afetam nossa vida em sociedade. Nos afetam a todos.

O território agricultável de Conceição da Barra está basicamente comprometido com as monoculturas de eucalipto e cana, porém, ao comparar o que uma e outra cultura ocupa e os benefícios que ambas possibilitam à população, não há nenhuma dúvida de que a Alcon, caso deixasse de existir (espero que nunca) nos faria muito mais falta do que a grande companhia de papel e celulose, a Suzano.

Diferentemente da Disa, a outra usina de álcool do Município e que hoje é só saudosismo e um amontoado de sucata, a Alcon brilha intensamente e sua diretoria, que tem a frente Nerzy Dalla Bernardina Júnior, merece os aplausos por estar continuamente avançando em conformidade com os ensinamentos de seu pai, a quem até hoje, após beijá-lo, repete um gesto de quando era criança e que acho muito bacana: Benção pai! 


Carlos Quartezani

Jornalista e micro empreendedor barrense

sábado, 26 de dezembro de 2020

A imunização é urgente!

A frase que dá título ao presente texto não é de minha autoria, embora concorde com ela em gênero, número e grau. O autor é um dos decanos da nossa Suprema Corte (STF), o Ministro Gilmar Mendes, ao se referir à vacina que nos trará além da imunidade contra os efeitos do terrível vírus, a esperança de que voltemos à normalidade e que possamos ir e vir, conforme estabelece a nossa Constituição, direito este que nos foi no mínimo restringido, durante todo o período após a constatação de que o novo coronavirus havia chegado nas terras brasileiras.

O autor da frase é membro do mesmo Órgão que oficialmente solicitou aos Institutos responsáveis pela oferta do imunizante no Brasil (pós autorização da agência reguladora Anvisa), que liberassem lotes da vacina prioritariamente àquela Corte para que dessa forma, pudesse organizar o próprio planejamento de vacinação de seus funcionários.

A solicitação, claro, foi negada, sob a justificativa de que ao deferir tal solicitação, estaria infringindo regras que não tem competência para criar. O Programa Nacional de Vacinação cabe a outros órgãos organizar e não aos Institutos responsáveis pela oferta do imunizante.

Embora seja lamentável que um Órgão tão importante para a Nação e que tem por função principal zelar pela equidade e garantir os preceitos constitucionais tenha sucumbido a tentação de  usar de sua importância para obter mais um privilégio, cabe uma observação importante no contexto. Neste caso específico, o que seria mais um absurdo comum a um país forjado nos privilégios dos poderosos, tais manifestações, tanto do STF quanto de um de seus membros, deverá colaborar, acredito, para o convencimento de parte da população que ainda não entendeu a gravidade do problema e a solução (vacina) que surge de forma relativamente rápida, fruto de estudos que já estavam sendo feitos porém, não com vistas a pandemia por coronavirus. Os cientistas se anteciparam. Acidentalmente, mas se anteciparam. Graças a Deus!

Pois bem, ainda que hajam dúvidas sobre a eficácia do imunizante, suscitadas mais por questões ideológico partidárias do que por cunho científico, a Suprema Corte ao se manifestar dando crédito à vacina, mais uma vez cumpre um papel relevante para a Nação, sobretudo quando há por parte de uma outra autoridade tão importante quanto, a saber, o Presidente da República, uma opinião contrária. Preocupante, mas certamente será vencido neste tema.

Vários países no mundo já estão vacinando seus cidadãos e por mais inusitada que possa parecer a cultura do privilégio sendo escancarada com a solicitação de prioridade feita pela Suprema Corte, o ato, surpreendentemente, resulta em benefício à população que já sabe que se houver um imbróglio envolvendo a obrigatoriedade constitucional de vacinar todo o povo brasileiro e a decisão cair nas mãos do STF, já temos a resposta: Vacinação já!


Carlos Quartezani

domingo, 1 de novembro de 2020

Votos não contabilizados


Estamos há 15 dias das eleições e em Conceição da Barra-ES um impasse está posto: São 5 candidaturas (eram seis antes da desistência de Manoel Pé de Boi) e uma delas - relevante por se tratar de uma reeleição - está, até o momento, indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral.

O candidato indeferido, Chicão, tem todo direito de acreditar que em algum momento, pode ter o seu recurso aceito e assim, ter sua votação validada. Certamente não serão poucos votos, em virtude do trabalho que foi feito por ele e sua equipe, dando continuidade ao indiscutível excelente desempenho do seu antecessor, sobretudo no que se refere a infraestrutura da cidade.

No entanto, o que me levou a escrever o presente texto, é a experiência que tenho na política e por ter já visto antes situações tais como esta. 

Como já disse, o candidato a reeleição tem total direito de esperar por um deferimento, estando em campanha. Contudo, se olharmos para trás, saberemos que essa espera pode ser vã e poderá trazer um resultado que para o  prefeito, terá sido pior do que agregar a uma outra candidatura, já deferida e com DNA semelhante à sua. Refiro-me ao candidato Toninho de Deus e sua Vice, Mirtes.

Olhando para o passado, as razões podem ser diferentes, mas o indeferimento do então candidato a Deputado Estadual, Mateusão, que culminou na primeira eleição do Deputado Freitas em seu lugar, e do Vereador Cristiano do Cartório, na eleição de 2012, são similares ao que está acontecendo hoje com a candidatura do prefeito Chicão. Pode ser reversível? Pode. Mas, e o preço a ser pago, compensa?

Certamente é uma decisão que não me compete e nem a ninguém, senão aos envolvidos diretamente, porém, entrar numa guerra que pode perder, não é inteligente e como cidadão que o admira e respeita, não poderia deixar de expôr o que penso, ainda que eu possa ser mal interpretado, dado à paixão que a eleição exerce nas pessoas e em muitos casos, impedindo o raciocínio lógico.

O fato é que se a candidatura de Chicão continuar indeferida, seus muitos votos não serão contabilizados e neste caso, a eleição terá sido ganha por quem efetivamente conseguiu o deferimento de sua candidatura. Essa verdade é absoluta e inquestionável e todo eleitor barrense deve estar ciente disso.

No mais, é aguardar e aceitar a decisão soberana do povo no próximo dia 15.

Carlos Quartezani