sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A embalagem

Por mais que se insista em mudar de assunto, as pessoas não conseguem se desvencilhar das eleições. Está ficando muito chato, mas muito chato mesmo. 

Você diz "bom dia" o outro responde "só se for prá você, que votou no PT" com direito a rima, inclusive. Eu tenho vontade de rir, mas não o faço por receio de ser uma doença e Deus não me perdoar pela minha insensibilidade com a enfermidade alheia. 

Há algum tempo está assim e digamos que piorou um pouco mais depois de domingo. Um simples comentário sobre o futebol, vem logo o comentário "nesse país quebrado não tem como ter futebol de excelência". Tudo, absolutamente tudo é gatilho para um comentário quase sempre incabível para o contexto em questão. 

As pessoas precisam se voltar para o que importa, criticar o que deve ser criticado, elogiar o que deve ser elogiado independente de quem seja o responsável, do contrário não passaremos de papagaios que aprendem o que seus tutores dizem, sem nenhuma capacidade de compreender o que diz.

Avaliar um trabalho de gestão pública, por exemplo, deve estar acima de avaliar a figura do gestor. Os seus resultados é o que importa e não para qual time ele torce. Se soubermos nos desvencilhar dessa prisão, esse pré conceito, certamente deixaremos de idolatrar seres humanos e passaremos a tão somente admirá-los ou rejeitá-los.

É claro que tudo pode ser melhor do que é, afinal somos humanos e a perfeição não nos pertence. Mas podemos lutar contra essa dificuldade de reconhecer um bom trabalho, sem se deixar contaminar por paixões que além de serem improdutivas, em muitos casos, não são correspondidas. 

Não faz nenhum sentido, por exemplo, afirmar que o país está muito mal economicamente quando o número de vagas supera o número de interessados nessas vagas. Eu sei que a economia não se baseia apenas na empregabilidade, mas não tem como negar que este é um aspecto importantíssimo. 

Mas é o que digo, se você gosta muito da pessoa não importa quantos erros ela cometa, o seu repertório para justificar continuar gostando muito dela é infinito e o contrário também, não há a menor chance de aprovar algo que foi realizado por quem você escolheu não gostar.

Se continuarmos avaliando o produto apenas por sua embalagem, será muito difícil chegar na excelência da qualidade. Por enquanto, o que vem prevalecendo, é a embalagem. 

Carlos Quartezani

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