domingo, 22 de março de 2026

Neymar

Vocês sabem que eu me amarro em polemizar não é? É de nascença, eu acho. Mas como não polemizar quando o assunto é futebol e principalmente quando se trata da Seleção Brasileira...

Eu que sou um dos privilegiados que viram a Seleção de 1982 (a melhor de todos os tempos) em ação, além das demais que vencemos, não tenho me empolgado com a nossa seleção atual nos últimos anos, e continuo assim. Empolgação zero!

Só um milagre nos faria vencer a próxima Copa do Mundo. Nossos vizinhos Argentina, Colômbia, Uruguai, por exemplo, que por sinal prestam bons serviços ao futebol brasileiro, com jogadores de alta categoria nos times daqui, estão muito bem servidos e acredito que a possibilidade é enorme de um desses países seja o melhor do mundo em 2026.

Dito isto, eis a polêmica: Sou a favor de separar uma vaga para Neymar na seleção brasileira. Não tem substituto para ele no momento, na posição que joga. E mesmo que não esteja em suas melhores condições físicas, poder contar com a sua presença em campo, é um ingrediente a mais para que os adversários nos respeitem. 

O que vi até agora, não faz medo nem a uma criança!

São Mateus-ES, 22/03/2026

Carlos Quartezani

segunda-feira, 16 de março de 2026

Valor não é preço

Consta que um dos membros da organização responsável por eleger o nome mais importante da literatura no Mundo, o Prêmio Nobel de Literatura, ao ser indagado sobre os motivos que levam o Brasil a nunca ter ganho o Prêmio, este teria respondido que o povo brasileiro assassina seus heróis, ou seja, o próprio brasileiro se encarrega de desvalorizar seus notáveis. 

O assunto que trago aqui não é exatamente sobre literatura, mas é sobre outra arte que nos últimos anos, tem nos feito refletir sobre as razões pelas quais temos tanta dificuldade em valorizar o que é nosso. 

Estou falando de Cinema, uma arte que há pouco tempo passou a elevar o Brasil mundialmente, pela sua qualidade e pela paixão com que se entregam os mais variados profissionais que atuam nessa área. 

Eu que não sou um ancião mas já passei dos cinquenta, nunca vi o cinema brasileiro ser tão valorizado Mundo a fora, desde que tivemos nossa primeira experiência exitosa quando quase conseguimos o maior prêmio do cinema com "Central do Brasil", filme no qual Fernanda Montenegro teve seu nome indicado ao de melhor atriz. O ano era 1999.

Não levamos o prêmio, mas o orgulho que senti por ser brasileiro, foi enorme. Embora saibamos que ser indicado ao prêmio já é um grande feito, mas claro que desejamos que Central do Brasil vencesse aquela edição do Oscar.

O filme não levou a cobiçada estatueta, mas não perdeu o prêmio para qualquer filme. O vencedor naquele ano foi o esplendoroso "A vida é bela", do italiano Roberto Benigni que sensibilizou o mundo com a história do judeu que mesmo sob o terror nazismo, não permitiu que seu "bambino" visse a face do mal. Não perdemos o Oscar, foi o outro filme que era extraordinário. 

Hoje, em 2026, depois de termos a satisfação de no ano passado ter recebido o Oscar de melhor filme com "Ainda estou aqui", outra vez o nosso país é contemplado com 4 indicações para o filme "O Agente Secreto", cujo protagonista Wagner Moura, baiano arretado, concorreu como melhor ator. Não ganhamos, mas fizemos história, uma belíssima história. 

Os comentários ácidos sobre o filme e o ator Wagner Moura, emitidos por pessoas cujo fígado é o principal órgão do corpo, fazendo-o trabalhar de maneira muito acelerada, celebram não termos conseguido ganhar o prêmio, seja para o filme ou para o ator. Frases como "o filme é uma merd@" entre outros impropérios, revelam o quanto uma significativa parcela do nosso povo, está contaminado por um sentimento que é difícil de não se indignar. O ódio se travestiu de pensamento político e está fazendo estragos e só não vê quem não quer. 

A certeza que tenho é que quer queiram ou não, o Brasil chegou chegando na indústria do cinema internacional e não tem intenção nenhuma de sair.

Que os bons projetos continuem sendo contemplados por meio da Lei Rouanet e as empresas e pessoas patrocinem essa arte que além de empregar muita gente, mostra um Brasil que apesar dos pesares, está caminhando na luta para não mais assassinar seus heróis, mas reconhecê-los pois não existe herói mais importante que aquele que não se vale de uma guerra, para mostrar que merece tornar-se essencial ao país. 

Ps: Não sou crítico de cinema, mas um simples observador.

São Mateus-ES, 16/03/2026

Carlos Quartezani

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Remédio e veneno

A Internet é de fato uma dessas maravilhas que surgem de tempos em tempos e que nós, além de não ter forças para resistirmos aos seus encantos, somos obrigados também a suportar os dissabores que ela proporciona. Dificilmente, por exemplo, uma pessoa diz uma coisa desagradável para a outra, com tanta intensidade como diz aqui, não fosse por estar no sofá de sua casa ou um outro lugar qualquer, onde tenha sinal de Internet. Audácia é mato aqui!

É certo também, como já comentei em outras oportunidades, que dependendo da gravidade do que se publica, o autor está sujeito às penalidades da Lei, afinal, não é "terra de ninguém". Se temos Leis específicas, é porque houve a necessidade de concebê-las.

Mas esse preâmbulo que fiz é para trazer um tema que me incomoda e que em virtude da comodidade que o mundo virtual oferece, tornou-se de fato insuportável. Estamos vivendo talvez o pior momento da história no que diz respeito à busca pelo conhecimento, prejudicados por uma conduta insana de pessoas que não só são mau educadas, mas tem orgulho disso. 

A Internet e em especial as redes sociais, excelente ferramenta de conhecimento, tornou-se um instrumento que prejudica essa busca na medida em que no lugar de aprender, aproveitar a oportunidade de ter acesso às informações trazidas por pessoas que querem contribuir, acabam transformando tudo em guerra ideológica onde um simples comentário sobre um cachorro que mordeu uma pessoa, descamba para um infindável número de xingamentos e palavrões, que mais parece um bordel instalado lá nos cafundós do Judas. Os políticos, os juízes e advogados, são os principais alvos. 

É tanto especialista em tudo que se possa imaginar e diga-se de passagem "assassinos da língua portuguesa", que é difícil até de se entender de onde partiu o motivo para tanto ódio, traduzido em palavras de baixíssimo calão como se "lacrar" fosse a única coisa que importa nesse mundo. Liberdade de se expressar não quer dizer liberdade para transgredir o pacto social. Urbanidade, ou seja convívio harmônico, também é uma obrigação a cumprir. 

O mundo está precisando de mais humildade. Se não entendermos que ordem e disciplina, não são sinônimos de subserviência e humilhação, teremos um mundo que não voltará aos trilhos e o abismo é logo ali.

Sem mais para o momento, rogo para que as pessoas procurem valorizar a dádiva de ter a disposição mecanismos de comunicação tão poderosos, algo que não tínhamos na década de 80, e faça um melhor uso. A diferença entre o remédio e o veneno, é a quantidade. 

Bom gosto não é privilégio de uma classe, mas uma escolha que se faz entre ser inútil ou essencial. 

São Mateus-ES, 25/02/2026

Carlos Quartezani

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Pesquisas eleitorais

Unir-se ao adversário por não poder vencê-lo pode até ser um dito popular bastante praticado, mas nem tudo que é popular obrigatoriamente traz bons resultados. Às vezes precisamos ser autênticos para que de fato façamos valer nossa existência. 

Na política, por conta das pesquisas de opinião pública, somos levados a nos associar a este ou aquele não por conta de concordarmos com o ponto de vista defendido pelo partido ou por seu representante, mas pelo resultado da pesquisa que aponta quem é o preferido. 

Não quero e nem vou fazer proselitismo religioso aqui mas para quem é cristão como eu, conhece a história de Barrabás absolvido pelo povo, por meio de um indulto de Poncio Pilatos, que perguntou ao povo quem eles desejavam que fosse libertado. Como todos sabemos, Jesus Cristo foi crucificado. 

Sempre tive contrário às pesquisas eleitorais. Não por duvidar da sua qualidade mas pelo efeito que causa às pessoas. Somos naturalmente influenciáveis e nada influencia mais do que saber que aquele ou aquela que escolhemos votar, não vai ganhar porque a pesquisa apontou isto.

Sei que é utópico conceber que um dia seja proibida a publicação de pesquisas eleitorais, já que se devidamente registrada, pode-se publicar sem problema algum, mas se as pessoas deixassem se levar por suas convicções e sobretudo, tendo por critério a capacidade que tem o seu candidato para representá-lo, certamente teríamos políticos muito melhor preparados do que a maioria que vemos por aí. 

A emoção é inerente ao ser humano e é ela quem determina nossas escolhas políticas. Mas temos que ter cuidado porque ao escolhermos quem gostamos para um trabalho para o qual não está preparado, estamos involuntariamente condenando esta pessoa ao pior dos martírios, principalmente nesses tempos em que o tribunal da Internet é implacável e nele todos são culpados, ainda que se prove inocentes. 

Não tenho nada a oferecer ao meu estimado leitor, em termos de critérios para suas escolhaspolíticas, mas a experiência que tenho me permite afirmar que se a pesquisa é o seu único critério, você foi absorvido pela ilusão de que vive numa democracia. Se foi manipulado, sua vontade é a do outro e não a sua. 

Pense, logo exista!

São Mateus-ES, 22/02/2026

Carlos Quartezani

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Carnaval é na Barra

Minha cidade natal, Conceição da Barra, promoveu um Carnaval que particularmente me agradou muito. 

Pode ser que em virtude de minha faixa etária, os chamados "Cinquenta mais", eu tenha ficado menos exigente em relação a multidões, mas não posso negar que foi muito bom poder ver meus conterrâneos que vivem ou não na Barra. Muito cheia, é difícil até de andar pela cidade, quanto mais encontrá-los.

Eu sei que estou sujeito a várias críticas por não entrar no bloco dos insatisfeitos e algumas dessas razões, eu até concordo. Mas também não posso deixar de considerar, por exemplo, que assisti diversos artistas (locais inclusive) desempenhando seu trabalho com muita competência e agradando gregos e baianos.Thierry, Fabíola, Max, Tati Felicio, entre outros, são artistas locais que não ficaram devendo e animaram as pessoas que decidiram pela Barra para a diversão carnavalesca.

No trio elétrico, por exemplo, a banda Chiclete com Banana que hoje trabalha sem o lendário Bel Marques, me transportou para algumas décadas atrás e caí na folia, sem me dar conta de que não era mais um adolescente e que portanto, o corpo iria reclamar no dia seguinte. 

Claro que a estrutura montada, com comidas, bebidas e música em variados pontos da cidade, dispersou os visitantes, o que provocou a sensação de que a cidade estava vazia. Sim, este erro deve ser corrigido, embora tenha que reconhecer que a enorme tenda montada, com segurança, comidas, bebidas e artesanato, me surpreendeu quando precisei usar o banheiro químico e este possuía ar-condicionado. Achei o máximo!

O governo municipal tem total autonomia para decidir como fazer a gestão do município e isto inclui estabelecer como e quanto vai investir em recursos públicos. No entanto, fica aqui meu conselho: Procure ouvir os setores envolvidos. Certamente, com essa atitude, teríamos uma melhor compreensão sobre os benefícios que determinadas decisões podem oferecer. Vaiar uma autoridade, pode ser legítimo do ponto de vista democrático, mas não é legal e isto deve servir de reflexão, tanto para quem vaiou, quanto para quem foi vaiado. 

Fui em todas as noites de Carnaval pra Barra, exceto o primeiro dia e o que eu presenciei foi muita alegria nas ruas, sobretudo pela presença marcante da turma do bloco Para Rái, ícone do Carnaval barrense, celebrando seus 40 anos de existência, em sintonia com a inesquecível "Bandinha da Barra", num ambiente pacífico onde se pode comer, beber, brincar, reencontrar grandes amigos e reafirmar que sem sombra de dúvida, o Carnaval ainda é na Barra e quem prefere grandes aglomerações, tem direito sim de escolher outro destino para os 4 dias de folia.

Aguardamos você e sua família para as próximas festas e que a alegria seja sempre o tom na cidade que nasceu de um beijo. 

E viva Conceição da Barra!

São Mateus-ES, 18/02/2026

Carlos Quartezani

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

As certezas da Barra

Sempre que escrevo sobre o tema verão e Carnaval em Conceição da Barra, tenho a convicção de estar tratando de algo que entendo bastante. Não por ser especialista, mas os vários anos que tenho de experiência, seja como folião (num passado bem distante) ou como comerciante, num passado não tão distante assim. 

Já vivemos várias experiências. Um dia já fomos destaque em termos de Carnaval de rua; depois amargamos um certo esquecimento em virtude do avanço do mar; resgatamos o prestígio com a oferta de shows de nível nacional, o que atraiu quem achava que "a Barra acabou", voltando a frequentar o Balneário e agora, estamos em vias de uma nova experiência, ou seja, a redução de recursos públicos em eventos de grande repercussão.

Cada gestor público tem o dever de estabelecer um norte para a cidade, para a qual foi escolhido pelo povo. Com o auxílio das demais representações do Poder, em especial, o Legislativo, pode-se fazer experiências, corrigir o que não deu certo e sempre com o objetivo de fazer com que os recursos públicos, sejam aplicados em favor do povo, ainda que num primeiro momento, as críticas sejam bem ácidas, afinal, diferente do que acontece numa empresa, o governo não pode simplesmente decidir, sem antes verificar se está em sintonia com a Lei e com o povo. 

Já fiz registros aqui, num passado recente, sobre o quanto fiquei feliz em ver a cidade lotada com shows de grande monta no verão barrense. Sim, fiquei muito satisfeito de ver a cidade sendo visitada por tanta gente. No entanto, é preciso dar crédito a quem acredita que um modelo menos custoso aos cofres públicos pode também permitir incrementos importantes em outras áreas, ainda que a vocação seja o Turismo. Se não for um turismo sustentável, não justifica grandes investimentos públicos no setor.

Outro aspecto que não podemos deixar de considerar é que temos um "concorrente" que se agigantou na região. Hoje, é quase impossível disputar com Guriri em termos de investimento público. Portanto, se não podemos vencer o "adversário", juntemo-nos a ele e no lugar de disputa, que criemos uma parceria, oferecendo as pessoas que não querem os aborrecimentos que geram as grandes multidões, uma alternativa leve e descontraída, de um Carnaval em família, nas ruas da Barra, aproveitando para se maravilhar com o lindo por-do-sol que temos, ao som de nossos artistas que em minha opinião, são sensacionais. 

Bom, as certezas que tenho e você também tem, é que não faltará hospedagem, ruas limpas, água, energia elétrica e muita paz, no melhor Carnaval que alguém pode desejar passar com sua família e seus amigos. O futuro nos dirá se é ou não o caminho a se trilhar.

Sucesso, Conceição da Barra! Sou louco por você!!!

São Mateus-ES, 11/02/2026

Carlos Quartezani

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Vedado o anonimato

O artigo 5o da nossa Constituição, em seu inciso IV, diz que é livre a manifestação do pensamento, porém é vedado o anonimato.

Em outras palavras, você tem liberdade para dizer o que pensa e se responsabilizar por isto. O seu limite é o direito do outro. Sair por aí dizendo coisas que não pode provar, é grave, muito grave e as consequências estão previstas no Código Penal do país. 

É preciso ter muito controle no que se diz e principalmente no que se publica na rede mundial de computadores. 

Eu sou do tempo que escrevíamos cartas uns para os outros. Hoje, contudo, a velocidade para se comunicar é instantânea, como também é instantâneo o estrago de uma fofoca. 

Jamais confunda direito de se expressar, com o direito de esculhambar. O segundo não existe em nosso conjunto de normas do convívio social, que destaca o dever da urbanidade.

Com a aproximação das eleições, é preciso ter ainda mais cuidado com esse tipo de conduta. As fortes emoções que o período provoca e a sensação de que pode postar qualquer coisa na Internet, poderá trazer sérias consequências a quem faz uso dessa prática. 

Portanto, recomendo cautela para que depois não culpe a política, por sua falta de prudência ao se referir ao semelhante de maneira pejorativa e, pior, não puder provar o que escreveu. 

A reputação de uma pessoa demora a ser construída e destruí-la é muito fácil. Portanto, assine embaixo do que escreve, assim você poderá responder por outros delitos, mas não por anonimato. 

São Mateus-ES, 04 de Fevereiro 2026

Carlos Quartezani

sábado, 10 de janeiro de 2026

Um pouco mais de paciência

O mundo ficou chato. Estamos, parece, regredindo. Quanto mais eu leio as notícias, mais percebo que estamos vivendo um estranho caso de uma existência que se autoimplodiu, contrariando a lógica da natureza, que prescinde que devemos nos adaptar às mudanças e não sucumbir a elas.

É gente enlouquecendo por todos os lados, sem distinção de classe social, raça, credo, etc. Por nada, se entra em atrito com o semelhante como se o único recurso fosse a violência, sem dar qualquer chance ao diálogo. Ao contrário, parece ser algo que para alguns, proporciona até um certo prazer, em ver o outro machucado, humilhado e em alguns casos, até morto. 

Recentemente, na minha cidade, Conceição da Barra, um jovem teve sua vida ceifada, por um outro jovem, que teve por "arma do crime" seu próprio veículo. Não vou entrar em detalhes sobre o caso pois o que sei, li nos jornais, mas ficou claro para mim que a tragédia se deu mais uma vez pelo desequilíbrio pelo qual estamos vivendo nesta quadra da vida. 

Não é apenas rotineiro esse desequilíbrio emocional. De uns tempos pra cá tornou-se cultural como se o diálogo, a diplomacia, fosse algo que não existisse mais, algo que não mais atende às necessidades dos nossos tempos. A máxima voltou a ser "olho por olho, dente por dente", infelizmente. 

Precisamos refletir sobre isto. Líderes em todo o mundo, mas especialmente em nosso país, precisam retornar ao tempo do diálogo, parar definitivamente de provocar o ódio pois a doença já atingiu a todos, governantes e governados. Lado A contra o lado B, se vê em tudo, numa espiral de violência que se espraiou até nos lugares que antes eram plenamente pacíficos ou, no mínimo, com menos violência do que vemos hoje. 

Frases como "bandido bom é bandido morto", tornou-se parte da rotina. O devido processo legal, previsto na nossa Constituição é confundido com proteção a bandido como se fosse possível alguém julgar o outro, não tendo todos os fatos devidamente analisados e comprovados e assim chegar a uma punição exemplar e que de fato corrija o indivíduo. 

Um pouco mais de paciência, como cantou o artista brasileiro Lenine, nos faria muito a todos, pois no rumo que está, estaremos pavimentando o caminho para o abismo, um tenebroso abismo. 

São Mateus-ES, 10/01/2026

Carlos Quartezani

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Maestro

Sempre que tenho oportunidade, falo das razões pelas quais sou admirador da minha terra natal, Conceição da Barra. É quase uma obrigação, prá mim, enaltecer os seus valores. Nós, os barrenses, somos quem melhor pode fazê-lo. 

Dentre esses valores a que me refiro, na arte e na cultura estão os principais destaques. 

São muitos os nossos artistas e que oportunamente escreverei a respeito aqui. Mas hoje, quero falar especificamente sobre um desses talentos que para meu orgulho, é parte da minha família. Meu primo Valmar!

O Maestro Valmar da Costa Graça, neto e irmão dos saudosos brincantes da manifestação folclórica O Alardo, Bianor Graça e Deurlene da Costa Graça, respectivamente, dedica sua arte à manutenção de uma das mais tradicionais atrações culturais da cidade, a Bandinha, que na estação verão promove alegria aos turistas, tocando marchas carnavalescas nas principais avenidas da cidade, uma marca do verão barrense. 

Valmar é músico iniciado pelos maestros, também saudosos, Manoel Romão do Nascimento Filho, o querido "seu Duquinha" e Hildeu Alves Pereira, ambos sempre mencionados por ele com muito carinho e respeito, por onde quer que vá. O reconhecimento aqueles que lhe ensinaram a arte, é do caráter de Valmar. 

A foto que ilustra o texto é o Maestro Valmar que com extremo orgulho colabora para que a cidade de Conceição da Barra continue valorizando sua cultura e atraindo famílias para curtir a cidade que nasceu de um beijo. 

São Mateus-ES, 06/01/2026

Carlos Quartezani



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O dono da bola, do campo e das camisas

O cidadão comum, digo aquele que não tem no seu cotidiano a observância das regras que nos regem a todos, tem menos condições de avaliar a aplicação dessas regras. No máximo, opina emocionalmente como alguém que escolheu acreditar num determinado discurso, ou narrativa como costumam chamar agora. 

Para jogar, o fundamental é conhecer as regras pois que ainda que vença o jogo, se infringiu uma das regras, essa vitória é nula. Isto vale também na política!

O Princípio da Autodeterminação dos Povos, que quer dizer que cada povo escolhe quem os governa, estabelece sua religião ou não e garante sua cultura e seus costumes, é fundamental para que haja paz suprema. Violar esse princípio implica em querer voltar ao tempo da guerra, dos grandes conquistadores em períodos da história bem longínquos onde a lei era do mais forte.

Vejo aqui nas redes sociais muitos comentários a respeito dos fatos políticos recentes, nos quais observa-se uma paixão descontrolada, como se cada um dos lados fosse o dono da solução genuína.

Não, eles não tem solução, mas tem apenas um desejo incontrolável de ter razão, portanto, não sobra espaço para avaliar se o outro lado tem uma proposta que caiba desenvolvimento de verdade e não apenas enriquecimento. Existe uma diferença entre se desenvolver e enriquecer. Se você não tem com quem compartilhar, sua riqueza é apenas dinheiro.

Precisamos nos atentar para o perigo do fim da democracia na América Latina. Se alguém não sabe a importância que isso tem, porque nasceu na democracia, dê uma passadinha nos livros de história, e seus mais variados autores, e faça uma reflexão mais sóbria e um pouco menos apaixonada.

E aos da minha geração e a anterior, não esqueçam que a vida nem sempre foi boa, pois por 21 anos o povo brasileiro teve que concordar com o governo em tudo, absolutamente tudo. Quem era contrário era convidado a se retirar, quando não saia por outros meios. 

A democracia é um valor e negligenciá-la é uma tragédia!

São Mateus-ES, 05/01/2026

Carlos Quartezani

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Cargos comissionados

Minha cidade, Conceição da Barra, virou notícia essa semana com o tema do projeto de lei enviado a Câmara pelo Poder Executivo, propondo uma reforma administrativa que consistiu em criar 87 cargos comissionados com salários variados, dentre os quais, o de Superintendente, o maior de todos, 15 mil reais. 

Eu sempre procurei utilizar de minha escrita para dar minha contribuição na formação política da sociedade. Quem acompanha meu trabalho sabe que valorizo muito o conhecimento pois nos facilita, inclusive, entender as coisas sob um ponto de vista que não se resuma no emocional. A razão nem sempre está em concordância com o coração.

O tema gerou polêmica e determinou um adiamento da votação na Câmara. Um dos parlamentares, alegando que o projeto precisa ser melhor analisado nas Comissões da Casa Legislativa, conseguiu suspender o regime de urgência cuja aprovação, permitiria nomear os comissionados a partir do início do próximo ano. 

Vejo com naturalidade os movimentos, tanto do Executivo que ao ser eleito adquiriu a prerrogativa de conduzir a administração do município, o que inclui fazer a reforma administrativa que achar necessária e o Legislativo, que tem o dever de aprovar ou não, mediante análise criteriosa como propõe os nobres edis.

Ter uma opinião e poder externá-la é legítimo e caracteriza o estado democrático de direito. As manifestações contrárias tem suas razões. No entanto, na medida em que os Poderes em harmonia decidem, o que nos cabe é torcer para que o que foi decidido, se reverta em benefício da coletividade, ainda que em princípio não consigamos enxergar o benefício.

Se o município tem e terá recursos, por exemplo da indenização Vale/Samarco, é apropriado que uma Secretaria Municipal do Meio Ambiente seja criada, para que os recursos alocados sejam de fato com foco na recuperação do que foi perdido no acidente ambiental de Mariana-MG. 

Se o objetivo for outro, não republicano, temos os órgãos competentes para fiscalizar e cobrar respostas e um deles é a Câmara Municipal. 

No mais desejo um feliz Natal aos meus conterrâneos e que Deus esteja conosco sempre, nos permitindo ter esperança, sem a qual nada seria possível. 

São Mateus-ES, 24/12/2025

Carlos Quartezani

domingo, 2 de novembro de 2025

Autoridade

Autoridade

Houve um tempo em que a palavra autoridade remetia a uma pessoa, ocupante de um determinado cargo, cuja presença se impunha naturalmente. 

Um olhar de reprovação de um pai ou mãe, era suficiente para que o filho refletisse sobre o que fez e ajustasse a sua conduta. Eis um bom exemplo do que significa autoridade!

Porém, convém destacar que autoridade é um instrumento que existe para que aquele que está sob ela, não desobedeça, do contrário, perderá o sentido o referido instrumento, afinal, para quê a autoridade se não funciona? Liberdade não é anarquia.

Alguém pode até achar que isto é coisa de ditadores e que liberdade é algo que não combina com obediência. No entanto, é necessário alertar que a liberdade não é uma renúncia ao sistema que o filósofo chamou de "contrato social". 

Não é algo que se pode entender como "posso fazer o que eu quiser". Se for definido como ilícito, existem as consequências. 

Democracia não é a liberdade para fazer o que quiser, mas o que as regras deste pacto social permitem. Aonde termina o meu direito, começa o seu direito. Seja pessoa física ou jurídica, todos estamos submetidos à mesma Lei!

Portanto, o exercício da autoridade é legítimo. Uma vez investido no cargo, você tem autoridade. Contudo, a autoridade também está regida pela mesma Lei e qualquer excesso, pode lhe custar até mesmo, o cargo. 

São Mateus-ES, 02/11/2025

Carlos Quartezani

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Guerra fria, outra vez?

Nos anos pós 1945, com a vitória da tríplice aliança (EUA, Inglaterra e Rússia) sobre o Eixo do Mal (Alemanha, Itália e Japão), na 2a Guerra Mundial, os EUA e a Rússia iniciaram uma guerra sem armas, uma guerra psicológica, mas que desencadearia muitas tragédias, especialmente na América Latina. A pretexto de combater o "Comunismo", regime adotado pela Rússia e a China, os norte-americanos resolveram sufocar os países que ousassem aderir ao Comunismo. 

Foi assim que surgiu os embargos ao pequeno país situado no mar do Caribe, a poderosa (só que não) Cuba. Com a revolução que ascendeu o comunista Fidel Castro ao poder, os norte-americanos decidiram isolar o país impondo um total fechamento do comércio entre os dois países, restando a Fidel viver conforme suas próprias forças com o auxílio da Rússia. 

Não pretendo aqui explorar tudo o que aconteceu nesse período até os dias de hoje. Não seria possível nem que eu fosse o gênio da escrita. Mas o que quero alertar é que o mundo de hoje é outro e os EUA não têm mais a relevância que tinha no pós-guerra e querer sufocar a economia de um país como o nosso, vai ser um tiro no próprio pé. 

Que os brasileiros compreendam que essa luta é do povo brasileiro e não de quem está no governo neste momento. O ideal é esquecer seu político de estimação e olhar para o que mais importa que é a soberania e os nossos produtos. Caso estes produtos não interessem aos norte-americanos, taxando-os de maneira absurda, a outras Nações devem interessar. 

Pode não ser tão simples como eu tento passar aqui com essas palavras, pois não sou especialista em relações de comércio internacional, mas mais complicado é ser chantageado e não reagir à altura. 

Viva o Brasil!!!

Carlos Quartezani

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Competir não, vencer!

Eu não saberia dizer em que momento nos perdemos, mas é certo que nos perdemos e o pior é que não temos noção do quanto nos perdemos e muito menos aonde está a saída. 

Estou me referindo à tal competitividade que tem nos tragado diurtunamente para o abismo e digo sempre "abismo" porque nenhuma outra palavra melhor me ocorre, para esse mundo que vivemos hoje. 

Tudo é disputa. Quando vence, é um herói; quando perde, é um inútil. E assim caminha a humanidade, ou pelo menos a humanidade brasileira. 

O fenômeno está em todas as áreas da vida e citá-las necessitaria algumas páginas e como a minha proposta aqui é ser sucinto, vou me ater ao esporte, mas destacando que vale para "todas as áreas da vida".

Aqui vai alguns exemplos: Quando o time do coração vence uma partida de futebol, a euforia é de como se fosse a final do campeonato; quando perde, o time cai no limbo. Se o mesa-tenista Hugo Calderano vence uma partida histórica, é ovacionado; quando perde a final para o melhor do mundo, não vale quase nada. Se João Fonseca sobe várias posições no ranking mundial de Tênis, não tem valor algum pois foi desclassificado na terceira rodada de Rolland Garros, na França. 

Enfim, para os brasileiros de hoje só resta a glória ou o limbo e o pior é que não é só nos esportes, é em quase tudo!

Não digo que estou pregando aqui um culto à derrota. Não, não se trata disso. Mas é sobre como tentar valorizar as pessoas e o seu talento, tendo chegado tão longe sobretudo num mundo onde a competitividade ganhou contornos tão desumanos. 

É vencer ou vencer. O que passar disso, é o fim da pessoa e toda a sua dedicação para chegar tão perto do objetivo. Definitivamente, não está certo. 

Escolhi os esportes para abordar o assunto, porque é onde percebo a maior incidência desse fenômeno. Nada que não for a vitória, interessa. E com o auxílio das redes sociais, ficou muito mais fácil destilar ódio àqueles que não venceram e portanto não merecem nenhum respeito ou um amor incondicional e absurdo, àqueles que venceram mesmo que por meios pouco ou nada nobres. 

Não tenho formação específica em sociologia, psicologia ou outra ciência que estude o indivíduo ou a sociedade, mas me atrevo a escrever com base no que observo. E o que observo está muito mais para um mundo próximo de uma virada, dessas narradas pela Bíblia como o grande Dilúvio anunciado por Noé.

Carlos Quartezani

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Revisão de conceitos

Estamos vivendo um tempo em que a nossa experiência de vida (digo nós que chegamos na idade do "enta"), se utilizada com sabedoria poderemos contribuir muito para essa, digamos, "desafiadora" geração e suas certezas sobre todas as coisas. 

Não tem lugar de fala para quem não quer dizer o que "todos querem ouvir". O que se diz e não é o que se quer ouvir, é motivo de cancelamento além dos impropérios comuns típicos de quem não tem argumento e se tem, não quer argumentar.

Precisamos mais do que nunca ser autênticos, abdicar de modismos e sermos quem somos. Do contrário, seremos engolidos por uma estupidez que não combatemos, por receio de sermos considerados "ultrapassados". 

Não, o bom gosto, a coerência e o amor nunca saem de moda e se abrirmos mão, principalmente por medo de não sermos aceitos, o caos já está estabelecido. 

Se estar na moda for, por exemplo, prender um humorista por suas piadas sem nenhuma graça, com o argumento de que o tal foi preconceituoso em sua manifestação artística (para quem não sabe, refiro-me ao humorista Léo Lins condenado a prisão por racismo e outros ismos), que país é este? Democrático não é, afinal o Estado que prende alguém por se manifestar artisticamente, não é o Democrático de Direito, mas a ditadura. 

Enfim, tá chato isso e muitas outras coisas que vem acontecendo e nós, ou aderimos por que não queremos ficar "fora de moda", ou fazemos cara de paisagem, como se este abismo não fosse nos sugar também. 

Pensem nisso e descubram como podemos, cada um de nós a seu modo, contribuir para não permitir que a ignorância saia vencedora, como quase sempre foi.

Deixe que a vaia puna o artista de mau gosto e se tem alguém que goste do "mau gosto", que seja livre pra se expressar. 

Carlos Quartezani

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Profissional reborn

Eu prometi a mim mesmo não focar no assunto do momento, aliás, são muitos assuntos pois estão se reproduzindo feito coelhos, mas refiro-me especificamente aos "bebês reborn", ou seja, bonecos tratados como humanos. 

Ao avaliar o absurdo do ponto de vista comportamental, que inclusive remete a algum tipo de transtorno mental, verifiquei que pode estar se espraiando para as profissões, cuja natureza é buscar soluções e não confundir ainda mais nosso pobre povo brasileiro. 

Ocorre que por meio de uma notícia de jornal, fiquei sabendo que foi levado ao Tribunal de Justiça do Trabalho uma demanda na qual uma funcionária de uma determinada empresa exigiu (e não conseguiu), uma licença maternidade para se dedicar ao seu "bebê reborn". Como eu disse antes, um boneco com características humanas, que ela tem como um filho. 

Veja, eu nem vou entrar muito nos detalhes porque não tenho dúvida tratar-se de um caso para a psiquiatria. Espero que alguém convença a moça a procurar ajuda, pois está precisando. Mas o que quero destacar é ela ter encontrado um profissional da Advocacia, para patrocinar esse descalabro. 

O referido caso, além de ser um claro sinal de que algo está muito fora da ordem na nossa sociedade, também chama atenção acerca dos limites que devem ter os representantes das mais diversas profissões, dentre as quais, destaco a Advocacia. 

É inconcebível que um profissional operadordo direito, ainda que tivesse muito dinheiro envolvido, possa levar um caso como este para o Estado brasileiro arbitrar, como sendo um "direito trabalhista" a ser pleiteado. Que mundo é este minha gente?!!

Chegou a hora de alguém estabelecer limites para o exercício de diversas profissões que têm, sobretudo, o papel de preservar uma certa ordem no convívio social. O papel de manter a ordem e o progresso é do Estado, mas inclui também o cidadão e as profissões que estes exercem.

Uma reflexão sobre os limites de um Advogado no exercício de sua função, em casos como este e em muitos outros casos, requer urgência e não tem nenhuma relação com liberdade do exercício da profissão, mas etica!

Se houver alguma vontade de que esta valorosa profissão volte a ter o respeito que tinha na sociedade (acho que as críticas são muito claras), começa pelo gesto de repudiar tais ações. O absurdo dos absurdos não pode prosperar.

O Estado brasileiro não pode estar se ocupando com demandas que não tem cabimento mínimo, como é o caso dos "bonecos" cujos proprietários querem direitos como se fossem humanos. Além do problema envolvendo a sanidade mental temos um claro problema de ética profissional, que ao meu ver, é pouquíssimo explorado nas faculdades de direito Brasil afora. 

Carlos Quartezani

domingo, 25 de maio de 2025

A ignorância mata

O nosso país não avança por causa da cultura do "quanto pior, melhor". A oposição, seja quem for que esteja no poder, torce para tudo dar errado com a mesma força que torce para o time do coração. Uma estupidez que não tem tamanho.

No nosso Estado, por exemplo, como não reconhecer a capacidade de políticos como Paulo Hartung e Renato Casagrande? Alguém chega tão longe na política, do nada? No entanto, para muitos onde cabe um, o outro não cabe; o que um apoia, o outro rejeita; nunca se escuta "o que foi dito", mas "quem disse" e por aí vai nossa trajetória rumo ao abismo...

Reconhecer o valor do outro, é algo bem desafiante na nossa cultura. Seja na política, na arte ou em qualquer outra área. Antes era explicado por meio do "complexo de vira-latas", hoje ganhou o ingrediente da mediocridade política. 

O sucesso do ator Wagner Moura, o baiano que vem brilhando no cinema internacional já há algum tempo e que inclusive ganhou o Cannes desse ano como melhor ator, é insultado de todas as formas nas redes sociais por conta de seu ativismo político. É muita ignorância mesmo...

Não é atoa que nunca conseguimos um Nobel de Literatura, orgulho que tem os colombianos, chilenos, argentinos e algum outro país sul-americano que não me recordo agora... como já disse alguém, o brasileiro tem pós graduação em assassinar seus heróis. 

Carlos Quartezani

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Ouro de tolos

O suposto envolvimento do atleta do Flamengo, Bruno Henrique, indiciado pela Polícia Federal por que teria forjado situação para receber um cartão amarelo, em partida realizada pelo Campeonato Brasileiro em 2023 e assim, manipular jogos de apostas on line, escancara um câncer moral que não pára de crescer, que em metástase, atinge todo o tecido social dos tempos modernos. 

Qual a necessidade tem um jovem rico, que joga no futebol profissional num dos maiores Clubes da América Latina, em participar de algo que pode, caso seja comprovado o ilícito, levá-lo a uma punição severa e certa, já que a didática do ato de punir é justamente para que não se cometa o erro de novo, por ele ou por outros?

A investigação aponta que o jogador teria sinalizado a uns familiares que receberia o cartão amarelo e respectiva expulsão, na partida contra o Santos, clube paulista, atitude que desencadearia premiações aos apostadores que assim se posicionassem no jogo de apostas. 

Os valores, segundo as informações obtidas na imprensa esportiva, eram irrelevantes se comparado ao salário que o atleta recebe no Flamengo. Uma forte razão para que os debates acerca da ética, neste e em muitos outros casos que nos assombram especialmente nos dias de hoje, sejam seriamente travados e com urgência inegável. 

Existe um limite para o hábito de querer levar vantagem financeira em tudo, mesmo em situações inegavelmente desnecessárias?

É preciso destacar, claro, que ser indiciado pela Polícia, seja Federal ou não, não é sinônimo de ser culpado. O direito de se defender, um princípio constitucional, vale para qualquer cidadão brasileiro. No entanto, o que pretendo abordar aqui e o caso se revela emblemático, é a importância da sociedade como um todo atentar para esses casos que tornaram-se recorrentes, num tempo em que o "ter" virou regra absoluta e o "ser" apenas uma ladainha de quem parece viver no reino de Nárnia ou na Terra do Nunca, dos clássicos filmes infantis.

Algo precisa ser feito para que a geração atual e futuras, compreendam que ser ético é um fundamento elementar para uma vida social plena. Do contrário, o fundo do poço é logo ali.

Carlos Quartezani

terça-feira, 15 de abril de 2025

Tá difícil demais

Não sei quanto a vocês mas eu estou desanimado com a forma que os representantes dos Poderes do momento, estão confundindo GOVERNAR com tentativa de convencer que estão governando. É patético!

A sensação que tenho é que estamos vivendo uma era em que não importa se tem governo ou não, mas se os posts nas redes sociais estão tendo "curtidas" e "compartilhamentos" ou não. Não é por aí não, Vossas Excelências! É preciso descer do palanque. 

Não imaginava que o futuro que nos aguardava, na política, seria algo pior do que tínhamos há 20, 30 anos. Não importa para onde eu olhe, não vejo mudanças consistentes mas apenas "influencer's" com mandatos, tentando mostrar o caminho que não leva a lugar algum... complicado, muito complicado. 

A política é para quem tem coragem e não para pessoas que por conta do que captaram com o auxílio do algoritmo, diz ou faz aquilo que vai agradar a pseudo-maioria. Não se fie na Inteligência Artificial. Ela é Artificial!!!

Querem um conselho? Não??? Mas eu vou dar assim mesmo: Façam como a Rede Globo de Televisão com suas novelas "remake" e vasculhe o passado para ter o que oferecer de bom. Na natureza, e na vida, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, mas sem uma alma, como um ser humano pode transformar alguma coisa? 

Como dizia Cazuza e neste sentido ele errou - pelo menos na política - eu não vejo o futuro repetir o passado mas um presente que só se recorrer ao passado, para se ter consistência e resultado. 

Não pensei que pudesse tudo ser tão pior do que já foi um dia. Francamente, que realidade cruel e desanimadora. Deus, tenha misericórdia de nós!

Carlos Quartezani

domingo, 30 de março de 2025

A arte a serviço da vida

A relação do ser humano com a arte é sem dúvida nenhuma algo que o Estado, sobretudo o Democrático de Direito, deve considerar como algo fundamental. Ninguém aprende tanto e portanto tornando o mundo melhor, se não por meio da arte ou com o valioso apoio dela.

Recentemente fui impactado por uma produção cinematográfica, inclusive adoro a arte do cinema, em formato streaming, contando uma história de um adolescente de 13 anos que assassinou uma colega de escola a facadas. A minissérie é intitulada "Adolescentes".

A chocante história se passa na Inglaterra, o que aumenta minha perplexidade já que o país é de primeiro mundo e ocorrências como a que foi retratada no filme, está em geral associada a ambientes onde as pessoas são marginalizadas, passam por privações inclusive financeira e tudo isto acaba refletindo no caráter e na percepção de mundo das crianças e adolescentes, principalmente. 

Mas não meus caros amigos, o filme cuja tragédia realmente choca a ponto de todos os envolvidos se sentirem, em parte, culpados pelo crime cometido pelo garoto inglês (aliás, quem atua nesta personagem é um excelente ator mirim) sacudiu a mente de muita gente mundo a fora, por tratar-se de um problema muito grave e que poucos sabem que sequer existiam. 

Sim, diferente da geração Z, não nascemos com um celular nas mãos e tem coisas que demoram mais para que a percebamos ou que a encaremos como natural. O mal será sempre o mal, mas é muito pior quando não o identificamos ou demoramos a identificá-lo.

Por trás de um inocente jogo virtual ou diálogos codificados nas redes sociais, um e-mogi, essas carinhas e outros recursos disponíveis no mundo virtual, pode significar mais que um mero símbolo de conversas inocentes no celular. O mal pode estar se valendo de algo que ignoramos ou não damos a devida importância, por acharmos que educar e cuidar é apenas no sentido de matricular na escola ou levar ao médico quando está doente. É muito mais que isto, pode ter certeza!

Tem outros aspectos a serem observados no filme e certamente não pretendo abordá-los todos aqui, mas acredito que se fizer um esforço para compreender a finalidade de quem criou a história, poderá sim evitar muitas coisas desagradáveis ou até mesmo, como no filme, trágicas.

Carlos Quartezani