O mundo ficou chato. Estamos, parece, regredindo. Quanto mais eu leio as notícias, mais percebo que estamos vivendo um estranho caso de uma existência que se autoimplodiu, contrariando a lógica da natureza, que prescinde que devemos nos adaptar às mudanças e não sucumbir a elas.
É gente enlouquecendo por todos os lados, sem distinção de classe social, raça, credo, etc. Por nada, se entra em atrito com o semelhante como se o único recurso fosse a violência, sem dar qualquer chance ao diálogo. Ao contrário, parece ser algo que para alguns, proporciona até um certo prazer, em ver o outro machucado, humilhado e em alguns casos, até morto.
Recentemente, na minha cidade, Conceição da Barra, um jovem teve sua vida ceifada, por um outro jovem, que teve por "arma do crime" seu próprio veículo. Não vou entrar em detalhes sobre o caso pois o que sei, li nos jornais, mas ficou claro para mim que a tragédia se deu mais uma vez pelo desequilíbrio pelo qual estamos vivendo nesta quadra da vida.
Não é apenas rotineiro esse desequilíbrio emocional. De uns tempos pra cá tornou-se cultural como se o diálogo, a diplomacia, fosse algo que não existisse mais, algo que não mais atende às necessidades dos nossos tempos. A máxima voltou a ser "olho por olho, dente por dente", infelizmente.
Precisamos refletir sobre isto. Líderes em todo o mundo, mas especialmente em nosso país, precisam retornar ao tempo do diálogo, parar definitivamente de provocar o ódio pois a doença já atingiu a todos, governantes e governados. Lado A contra o lado B, se vê em tudo, numa espiral de violência que se espraiou até nos lugares que antes eram plenamente pacíficos ou, no mínimo, com menos violência do que vemos hoje.
Frases como "bandido bom é bandido morto", tornou-se parte da rotina. O devido processo legal, previsto na nossa Constituição é confundido com proteção a bandido como se fosse possível alguém julgar o outro, não tendo todos os fatos devidamente analisados e comprovados e assim chegar a uma punição exemplar e que de fato corrija o indivíduo.
Um pouco mais de paciência, como cantou o artista brasileiro Lenine, nos faria muito a todos, pois no rumo que está, estaremos pavimentando o caminho para o abismo, um tenebroso abismo.
São Mateus-ES, 10/01/2026
Carlos Quartezani
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